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BC diz que crise internacional vai derrubar inflação
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EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
O Banco Central sinalizou que continuará a reduzir a taxa básica de juros, apesar da piora nas suas estimativas de inflação --que está à beira de estourar a meta--, do crescimento maior do crédito e da alta do dólar.
Para a instituição, não são os juros altos, mas a desaceleração da economia provocada pela crise internacional que vai derrubar os preços --no Brasil e na maioria das economias mundiais.
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O BC divulgou relatório no qual reduziu a previsão de crescimento do país de 4% para 3,5% neste ano. A previsão de inflação subiu de 5,8% para 6,4%. E a chance de que ela ultrapasse o limite da meta --de 6,5%-- subiu para 45%. No próximo ano, segundo o BC, a inflação cairá para 4,7%.
"A expectativa é que haja uma desinflação no mundo entre 2011 e 2012, no Brasil inclusive. Essa desinflação não vai vir da política monetária [aumento dos juros]. Está vindo de outras fontes", disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton.
Apesar de sinalizar que os juros, hoje em 12% ao ano, vão cair ainda mais, o BC mostrou que reduções mais bruscas podem fazer a inflação estourar a meta.
Por isso, manteve o discurso de que "ajustes moderados" na taxa básica são compatíveis com a queda da inflação em 2012.
PIOROU DEMAIS
Para o BC, o cenário externo ajudará a reduzir a inflação no Brasil, mesmo que não haja quebra de nenhum país ou banco estrangeiro, como em 2008.
Citou as previsões mais pessimistas do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o crescimento de vários países e disse acreditar que na zona do euro a situação pode ser ainda pior.
"O cenário internacional piorou demais. No Brasil, isso aparece mais em preços de ativos, como câmbio e Bolsa de Valores, e nos indicadores de confiança. Na economia real, a gente ainda vai ver mais claramente", afirmou Hamilton.
Sobre o crescimento menor previsto para o Brasil, ele disse que a atividade industrial está mais moderada, que houve desaceleração também no setor de serviços. Citou ainda redução da demanda externa e do investimento.
"Estamos crescendo de acordo com a nossa capacidade de investir", afirmou o diretor.
INFLAÇÃO
A meta de inflação é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Hoje, os preços acumulam alta de 7,23% em 12 meses.
As projeções do BC não consideram, no entanto, o nível atual do dólar. O BC usou na conta uma taxa de R$ 1,65, valor em que estava no dia 9 de setembro.
O BC também não colocou no cálculo o impacto de novas reduções da taxa básica de juros, que está hoje em 12% ao ano.
Para 2012, a previsão caiu de 4,8% para 4,7%. Nesse caso, as estimativas para o dólar e juros também estão defasadas.
O BC também calcula a inflação com base nas previsões do mercado financeiro. Nesse caso, a estimativa de 2011 também é de 6,4%. Para 2012, passou de 4,9% e para 5,0%.
25% DE CRISE
O BC avaliou ainda como ficaria a inflação se a crise externa tivesse um impacto sobre o Brasil equivalente a 25% do que aconteceu em 2008/2009. A instituição considera uma crise "mais persistente e menos aguda".
Nesse cenário, a inflação também fica em 6,4% neste ano e recua para 4,7% em 2012.
Os números fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira (29).
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