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Com dólar caro e juro menor, BC reduz previsão para dívida pública
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EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
A alta do dólar e a redução da taxa básica de juros, a Selic, foram os principais fatores que levaram ao Banco Central a reduzir a previsão para a dívida pública neste ano.
A dívida líquida --diferença entre ativos e passivos-- deve cair para 38,5% do PIB (Produto Interno Bruto). A previsão anterior era chegar a 39%.
Essa estimativa considera um dólar a R$ 1,68 no fim de dezembro, previsão do mercado coletada pelo BC na pesquisa semanal Focus.
Se a moeda ficar acima de R$ 1,80, no entanto, o BC diz que o indicador pode cair para algo entre 37,5% e 38% do PIB.
Entre julho e agosto, a alta de 2% nas cotações ajudou a reduzir a dívida líquida de 39,4% para 39,2% do PIB. A previsão do BC para setembro, com base na cotação de R$ 1,82, é uma queda para 37,6%.
"Esse movimento recente do câmbio favorece a redução da relação dívida/PIB", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.
Como o Brasil é credor em moeda estrangeira, devido aos mais de US$ 350 bilhões que possui em reservas internacionais, a alta das cotações tem efeito positivo na dívida. Segundo o BC, uma alta de 10% no dólar reduz a dívida em R$ 49,5 bilhões ou 1,3 ponto percentual.
SUPERAVIT
As contas do setor público registraram em agosto o pior resultado para este mês do ano desde 2003. Segundo o BC, foram economizados R$ 4,56 bilhões no mês, queda de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.
Houve piora no resultado do governo federal. Estados e municípios, juntos, tiveram o melhor resultado para este mês da série iniciada em 2001.
Nos oito primeiros meses do ano, o resultado representa 75% da meta de R$ 127,9 bilhões para o ano. A economia acumulada em 12 meses caiu pela primeira vez desde abril e ficou em R$ 149,5 bilhões (3,78% do PIB).
"É normal que tenhamos essas oscilações. O importante é considerar o conjunto da obra até aqui. E nesse sentido observamos um cenário favorável, com perspectiva de cumprimento da meta neste ano", disse Maciel.
Para cumprir a meta, o setor público (União, Estados e municípios) precisa fazer uma economia de US$ 7,9 bilhões até o fim do ano, abaixo da média verificada até agosto, de US$ 12 bilhões.
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