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Aliados de Alckmin concentram verba em São Paulo
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DANIELA LIMA
BERNARDO MELLO FRANCO
SILVIO NAVARRO
RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO
Os dois partidos que sustentam a coalizão do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) receberam metade (49,1%) dos recursos liberados pelo Palácio dos Bandeirantes para emendas apresentadas neste ano pelos deputados estaduais paulistas.
Os números constam de levantamento obtido pela Folha. Os dados oficiais só serão liberados hoje.
Juntos, PSDB e DEM conseguiram R$ 9,3 milhões para financiar projetos escolhidos por seus parlamentares --22 tucanos e oito democratas. Eles representam 32% da Assembleia Legislativa.
Já o PT, que faz oposição a Alckmin e tem a maior bancada da Casa (24 cadeiras, ou 25,5% do plenário), recebeu 13,1% do total repassado pelo governo, R$ 2,49 milhões.
O partido controla 25,5% das cadeiras da Assembleia.
Os outros dois partidos de oposição, PC do B e PSOL, receberam apenas R$ 60 mil. Juntos, eles contam com três deputados estaduais (3,1% do total de parlamentares).
Os tucanos conseguiram o maior entre os partidos governistas: R$ 5,78 milhões.
O DEM aparece em segundo lugar, com R$ 3,52 milhões. O PV, que tem a terceira maior bancada (9 deputados) e também apoia o governador Alckmin, obteve R$ 1,46 milhão.
É a primeira vez que o governo do Estado dará publicidade a esses gastos. A medida é uma resposta ao escândalo deflagrado pelo deputado Roque Barbiere (PTB).
Em entrevista ao jornal "Folha da Região", ele afirmou que de 25% a 30% dos parlamentares enriqueceram negociando emendas com prefeituras e fazendo lobby para empreiteiras.
Até então, era possível acessar apenas o valor repassado a cada município, sem no entanto, identificar quem destinou os recursos.
No total, os 94 parlamentares conseguiram a liberação de R$ 18,9 milhões desde janeiro. Outros R$ 26,1 milhões foram pagos em 2011, mas os valores são referentes a emendas da legislatura anterior, durante o governo de José Serra e Alberto Goldman (ambos do PSDB).
A lógica de privilegiar aliados repete-se em plano federal. No governo Dilma Rousseff, parlamentares do PT e PMDB, as principais legendas da base aliada, são os campeões em liberação de emendas. Proporcionalmente, o PTB, que também apoia Geraldo Alckmin, foi a sigla que mais recebeu recursos do governo.
Seus quatro parlamentares, receberam R$ 2,12 milhões --média de R$ 530 mil para cada um.
Roque Barbiere, que deflagrou a crise na Casa, conseguiu liberar R$ 450 mil.
Os deputados deram preferência à indicação de verbas para prefeituras e Santas Casas. Foram R$ 11,3 milhões para municípios e R$ 5,7 milhões para as entidades.
Cada parlamentar tem direito a indicar R$ 2 milhões em emendas por ano.
Havia, no início deste ano, uma articulação dos deputados para elevar esse valor até R$ 5 milhões anuais.
Com o escândalo, o governo conseguiu argumento para derrubar essa articulação.
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