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30/09/2011 - 16h50

Redução da taxa de juros ajudou a regular câmbio, diz Mantega

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MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, creditou parte da escalada recente do dólar à queda da taxa de juros. Na avaliação do ministro, antes da desvalorização iniciada na semana passada, a taxa de câmbio estava "desregulada".

"Na minha avaliação, o câmbio estava meio desregulado, estávamos com excesso de valorização e a redução da taxa de juros ajudou a melhorar esse preço relativo", afirmou.

Mantega reafirmou que o corte dos juros é o instrumento preferencial do governo para enfrentar a crise internacional, por que "não custa nada". "Ao contrário, reduz a nossa principal dívida, que é atrelada aos juros".

Mantega, entretanto, evitou afirmar que o BC deve baixar os juros.

"Eu não sei se haverá queda nos juros, é uma decisão do Banco Central. Eu só sei que o mercado já precificou isso", disse, referindo-se às apostas na taxa de juros futuros, que segundo ele, estão em queda.

O ministro sinalizou ainda que não pretende retirar as medidas adotadas para evitar a valorização do real, como o IOF para operações com dólar ederivativos no mercado de câmbio. Ele afirmou que a guerra cambial --manipulação das taxas de câmbio por países-- continua e retira vantagem dos produtos brasileiros.

"Nós não vamos deixar que haja uma sobrevalorização do câmbio no Brasil de modo a prejudicar a indústria brasileira", disse.

O ministro afirmou ainda que o Brasil pode usar as suas reservas caso haja travamento das linhas de crédito para exportação, como ocorreu durante a crise de 2008/2009. Ele enfatizou que o BC também pode liberar compulsórios bancários para irrigar a economia.

E se necessário, segundo o ministro, ainda há espaço no país para a adoção de estímulos fiscais.

Apesar da redução do esforço fiscal em agosto, o ministro afirmou que o Brasil deverá encerrar este ano com uma das situações fiscais mais fortes do mundo.

"O Brasil tem uma situação fiscal privilegiada, vamos terminar este ano entre as melhores do ano", afirmou.
Mantega reafirmou que o governo vai perseguir a meta ajustada para cima de superávit primário, de R$ 127 bilhões.

"Vamos perseguir este resultado não apenas neste no, mas também nos próximos", afirmou.

INFLAÇÃO

Mantega disse que a inflação é um "fenômeno mundial" , em decorrência do aumento do preço das commodities.

"Nosso desempenho do ponto de vista inflacionário é tão bom ou melhor do que de outros países", afirmou.

"Nos EUA, por exemplo, a inflação triplicou desde o ano passado e o país não cresceu".

Ele afirmou que o aumento das commodities deverá "perder o ímpeto" neste ano.

"Se houver um agravamento da crise internacional, nós devemos esperar uma queda também do preço das commodities, portanto, não haverá mais essa pressão", afirmou.

O ministro afirmou que o cenário mais otimista para as economias maduras é de baixo crescimento e possibilidade de recessão.

"O cenário mais pessimista é que haja uma crise de dívida soberana que desencadeie uma nova crise financeira", disse.

 

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