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Governo e indústria discutem ajustes na desoneração da folha
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MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO
Governo e indústria estão conversando para "calibrar" a desoneração das folhas de pagamento de alguns setores anunciada em agosto, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.
O governo concedeu 20% de desoneração para as empresas dos setores calçadista, têxtil e de móveis, mas taxou em 1,5% o faturamento dessas companhias para compensar a perda de arrecadação. Skaf disse que essa troca acabou não se mostrando vantajosa e defendeu a redução da alíquota de 1,5% sobre o faturamento.
"É super saudável desonerar a folha. Por outro lado, não adianta trocar seis por meia dúzia. Em alguns casos, até aumentou o encargo", disse.
Após almoço com empresários na sede da Fiesp, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo está observando o funcionamento da medida e que vai aperfeiçoá-la.
Ele explicou que a intenção do governo é que a diferença entre a redução de impostos sobre os salários e a taxação do faturamento represente um terço de desoneração sobre a folha.
O ministro voltou a dizer que a intenção do governo é estender, no futuro, a desoneração para outros setores. Segundo ele, se a medida fosse estendida para toda a economia sem compensação de um novo tributo, a renúncia fiscal chegaria a R$ 95 bilhões, o que não é viável para o governo.
"Nós iniciamos uma processo de desoneração da folha, vai ser um caso experimental. Nossa idéia é generalizar a medida para os setores produtivos, começando pelo manufatureiro. Vamos discutir com o setor, vamos fazer cálculo junto", afirmou.
Segundo Skaf, a desoneração da folha de pagamento é importante para a manutenção de emprego.
"No caso de uma dificuldade, a folha é um custo fixo que você tem. Quanto menor custo você tiver sobre a folha, estimula mais as empresas a evitar demissões", disse.
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