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Relator pede adiamento de votação sobre reforma política
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MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
O relatório sobre a reforma política deve ser votado na comissão especial da Câmara apenas no final do mês. O assunto deveria ser votado nesta quarta-feira, mas foi adiado após pedido do próprio relator, deputado Henrique Fontana (PT-RS). A alegação é que sua proposta não contava com maioria e portanto poderia ser derrotada.
O presidente da comissão especial, Almeida Lima (PPS-SE), estipulou o prazo de 20 de outubro para novas apresentações de emendas. Com isso, o texto ainda pode ser modificado.
As principais sugestões de Fontana são o financiamento público de campanha e o sistema de votação proporcional misto, em que o eleitor vota no nome do candidato a deputado federal, estadual e vereador e também em uma lista organizada anteriormente pelos partidos
Não há acordo entre os principais partidos sobre esses dois temas. "Se votássemos hoje, pelos meus cálculos, poderíamos arquivar a proposta. Como eu sinto que a maioria da Casa e da sociedade quer votar, peço a prudência de não colocar em votação hoje", apelou Fontana.
A sessão desta quarta-feira na comissão especial ainda está acontecendo e serve principalmente para os deputados fazerem críticas ao relatório.
Para o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), o texto de Fontana é confuso. "Está claro a fragmentação na Casa entre os partidos. Talvez, nesses casos, o mais simples seja o mais apropriado. Como as mudanças não vão valer para 2012, não teria porque ter uma sangria desatada", disse.
Na opinião do tucano, outros pontos como o prazo para as primeiras filiações partidária (diminui de um ano para seis meses o prazo mínimo da primeira filiação para que o candidato possa disputar as eleições) e uma proposta que fala dos prefeitos itinerantes (que proíbe que um político mude seu domicílio eleitoral para ser eleito em outra cidade em um terceiro mandato) devem ser aprovados.
Vice-líder do governo, o deputado Luciano Castro (PR-RR) também criticou as propostas de mudança. Disse que o modelo de votação proporcional misto serve para privilegiar apenas os grandes partidos. "Essa fórmula favorece o PT, que já tem uma história na política. Pelos nosso cálculos, o partido poderia eleger 150 deputados federais", disse.
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