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06/10/2011 - 18h55

Em carta, Barbiere não entrega nomes e faz crítica ao governo de SP

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DANIEL RONCAGLIA
DE SÃO PAULO

Em carta entregue ao Conselho de Ética da Assembleia paulista, o deputado Roque Barbiere (PTB) evitou novamente revelar nomes de deputados que participaram do suposto esquema de venda de emendas parlamentares.

Ele ainda fez críticas ao governo de São Paulo, que, segundo ele, não o respondeu sobre um requerimento em que questionou formalmente a Casa Civil sobre quais deputados destinaram emendas a entidades e obras públicas. "Estou triste, sim, e muito triste, com as declarações do governo de que nunca os alertei", disse o deputado.

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Nesta semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que Barbiere tem o "dever público" de apontar nomes.

"Por que será que o governo se manifesta com tanta veemência se eu não os acusei, ainda, de fazer nada errado?", questiona o deputado.

Convidado a comparecer ao Conselho de Ética, Barbiere aproveitou uma brecha do regimento interno da Casa e entregou seu depoimento por escrito. A carta, de 22 páginas, foi entregue ao presidente do PTB de São Paulo, Campos Machado. O documento foi lido por um assessor da Casa.

Na carta, Barbiere também acusou a imprensa de ter manipulado suas declarações sobre o suposto esquema.

"Será que os ilustres membros deste conselho imaginaram que eu quis ofender todos os deputados?"

Ele ainda negou que tenha comparado a Assembleia a um camelódromo.

A comparação foi feita em entrevista coletiva a jornalistas na última terça-feira. "Isso [deputados] é igual camelô, cada um vende de um jeito [as emendas]", afirmou o deputado na ocasião. (Leia a íntegra da entrevista)

"Sempre afirmei e reafirmo que a grande maioria dos deputados era, e é, gente boa", diz Barbiere na carta.

Segundo o deputado, sua ideia sempre foi acabar com as emendas.

"Meu objetivo é tentar acabar com as emendas, pois entendo que elas nos mantém refém do Executivo e isso é ruim para ambos, embora seja pior para nós."

A carta do deputado somente foi lida após uma tumultuada sessão de quase quatro horas. Após a leitura, a reunião foi encerrada.

Deputados da situação e oposição consideram as explicações de Barbiere insuficientes.

Eles prometeram pedir a convocação dele na próxima reunião da Comissão de Ética, marcada para terça-feira.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a assessoria do governo de São Paulo afirmou não classificar como ameaças as declarações de Barbiere na carta e destacou que, além dos ataques à mídia, o documento não traz novidades.

Em nota divulgada na última terça-feira, a assessoria do Bandeirantes informou que Barbiere nunca comunicou ao governo qualquer irregularidade envolvendo convênios feitos por indicação parlamentar.

 

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