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21/10/2011 - 17h19

Procuradoria pede ao STF inquérito para investigar Orlando e Agnelo

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ANDRÉIA SADI
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu nesta sexta-feira (21) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de um inquérito para investigar as supostas irregularidades no Ministério do Esporte envolvendo o atual ministro da pasta, Orlando Silva (PC do B), e o ex-ministro Agnelo Queiroz (PT), hoje governador do Distrito Federal.

Gurgel também pediu que seja remetido ao STF o inquérito do STJ (Superior Tribunal Justiça) que investiga Agnelo por suposto envolvimento nas fraudes no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte quando ele era o titular da pasta, entre 2003 e 2006.

As suspeitas foram levantadas pelo policial militar João Dias Ferreira em entrevista à revista "Veja".

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Orlando afirmou na madrugada, por meio de seu microblog Twitter, ter preparado um relatório sobre as "mentiras" publicadas contra ele. Ele espera ser chamado ainda hoje no Palácio do Planalto para conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre seu futuro no ministério.

Sérgio Lima - 18.out.2011/Folhapress
Orlando Silva, ministro do Esporte, presta esclarecimentos na Câmara; atrás dele, obra "Tiradentes ante o Carrasco" (1951), de Rafael Falco, mostra o incofidente indo à forca
Orlando Silva, ministro do Esporte, se defende de denúncias durante audiência na Câmara; atrás dele, obra 'Tiradentes ante o Carrasco' (1951), de Rafael Falco, mostra o incofidente indo à forca

Um pouco antes, ainda pelo Twitter, o ministrou afirmou: "Mais um dia e nenhuma prova contra mim foi apresentada. Não serão, porque não existem provas, não existem fatos. É tudo mentira".

Ele também disse que acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) para entrar com uma queixa-crime contra Ferreira.

DEMISSÃO

Dilma vai acompanhar pelos próximos dias a situação do ministro do Esporte, para então definir seu futuro. Sua permanência no cargo é considerada "difícil" por integrantes do Palácio.

Na avaliação da equipe palaciana, Orlando teria se inviabilizado politicamente ao ser alvo de suspeita. Na decisão, pesa menos o teor das denúncias e mais a viabilidade de ter um "executivo da Copa" enfraquecido. O delator do ministro, o policial João Dias, ainda não apresentou provas.

Para embasar sua decisão, a Folha apurou que o Planalto pediu ontem à CGU (Controladoria-Geral da União) uma varredura nas ações e contratos da pasta que foram alvo de denúncias. Dilma decidirá o futuro do auxiliar após receber o levantamento.

Ela reuniu por mais de duas horas sua equipe no Palácio do Alvorada ontem à noite assim que chegou da África. Os ministros presentes fizeram um diagnóstico pessimista do noticiário.

Mesmo assim, o governo quer identificar ele próprio a situação no ministério e checar se há esquemas de corrupção na pasta, como denunciam os jornais. Em seguida, será feita uma avaliação minuciosa para identificar a extensão real das supostas irregularidades e das condições políticas de Orlando Silva conduzir a organização da Copa.

Daniel Marenco - 15.out.2011/Folhapress
O ministro Orlando Silva chega para dar entrevista coletiva em hotel, em Guadalajara
Permanência de Orlando é difícil por ser alvo de suspeitas

Esses dois fatores são decisivos para determinar se o ministro sai e quando ele sai.

ENTENDA O CASO

Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam Orlando de participação direta nas fraudes, segundo reportagem publicada pela revista "Veja".

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que irá investigar as acusações.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que João Dias firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

 

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