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27/10/2011 - 15h34

Assembleia de SP encerra investigação sobre venda de emendas

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RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu encerrar as investigações sobre o esquema de venda de emendas na Casa e enviar ao Ministério Público o que foi apurado até agora.

A proposta de enviar o material foi do líder do PTB na Assembleia, Campos Machado, argumentando que o Ministério Público é a esfera competente para fazer a investigação.

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O deputado José Bittencourt (PSD) deve preparar um parecer para ser votado a partir da próxima semana. É esse parecer que será encaminhado ao Ministério Público.

O PT foi o único partido que votou contra o enterro das investigações. E, hoje, realiza um protesto no local pedindo uma CPI para investigar o caso. O ato conta com cerca de 350 manifestantes e a participação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e de movimentos sociais.

A CPI tem 30 assinaturas, com a última recebida ontem, do delator do esquema, Roque Barbiere (PTB), que se tornou pivô do escândalo ao afirmar, em agosto, que até 30% dos deputados negociam emendas.

Em discurso no plenário, na noite de terça (25), Barbiere voltou a negar dar nomes à Assembleia e prometer entregar deputados vendedores de emenda apenas ao Ministério Público. Em seguida, disse: "A imprensa, sem que eu desse um nome já podia investigar. Por exemplo --esse eu já assumo-- o membro do Conselho de Ética José Dilmo [sic] mandou para a minha região sete emendas para barracões".

Sem acusar Dilmo diretamente, o petebista citou então reportagens da Folha sobre emenda do colega do PV para Lourdes, no noroeste de São Paulo, onde não teve votos. Autoridades envolvidas com a obra, licitada pela prefeitura, não souberam definir para que ela serviria. Quem realiza a obra é um ex-prefeito da região e a engenheira da empresa dele é a mesma de uma das empresas derrotadas.

"O que significa? Que esse prefeito não correu atrás desta verba, ela foi oferecida a ele por alguém", disse Barbiere. "Isso é normal? Não é normal."

Barbiere continuou: "Lá, no Ministério Público, que pode quebrar o sigilo telefônico, fiscal, bancário, que tem muito mais espírito de punibilidade que o nosso, vou dar alguns nomes para que sejam aferidos. Lá, sim, vou levar testemunhas. Lá, sim, alguns deputados que se utilizaram do expediente de venda de emendas --e vou comprovar isso, ao final dessa história-- serão penalizados".

Dilmo nega irregularidades.

Diego Shuda/Folhapress
Manifestantes do PT, CUT e movimentos sociais protestam contra o encerramento das investigações
Manifestantes do PT, CUT e movimentos sociais protestam contra o encerramento das investigações
 

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