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Jogo permite que aluno assuma papel de jornalista; veja lista de jogos brasileiros
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LUCIANO GRÜDTNER BURATTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Você é um jornalista enviado a Jerusalém para investigar o aumento da tensão entre Israel e Líbano, que levou à instalação de vários postos de controle na região. Em particular, seu editor quer que você cubra a vida das pessoas afetadas por essa medida. Há diferentes versões para a mesma história. Sua missão é escrever um artigo com base nas suas observações.
Essa é a atividade proposta pelo jogo Global Conflicts: Checkpoints (Jerusalem), que mistura geografia, história, política e redação num contexto realista. "O jogo também pode servir de estopim para uma discussão dos prós e contras das decisões tomadas pelas diferentes partes no conflito", diz Gilson Schwartz, economista, professor da ECA-USP e curador da série no Brasil.
ATIVIDADES INTERATIVAS
Nem todos os jogos precisam ser tão sofisticados para atingir seus objetivos. No colégio Padre Moye, em São Paulo, professores utilizam atividades interativas no computador para estimular a leitura e a capacidade dos alunos de categorizar informações.
Em uma dessas atividades, alunos do 3º ano precisam separar diversos produtos em categorias (produtos ligados a higiene, saúde, lazer). O "feedback" é imediato e nunca punitivo. Quando o aluno erra, em vez do famigerado: "Você errou!", ou algo do gênero, o aluno recebe um incentivo para continuar tentando.
"O computador é extremamente paciente. Não fica chateado se o aluno demorar. E ainda dá parabéns no final", brinca a diretora do colégio, Maria Cecília de Souza.
SCRATCH
Outra atividade importante é a criação dos próprios jogos. O exercício estimula criatividade, organização, resolução de problemas e trabalho em equipe.
Uma ferramenta gratuita que permite a criação de jogos por crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos é o Scratch.
Lançado em 2007 pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), o software é usado nas aulas de português por alunos da escola municipal Ernani Silva Bruno, em São Paulo.
As crianças ilustram fábulas com os joguinhos criadas por elas mesmas. Eles usam laptops XO doados pela ONG One Laptop Per Child.
JOGOS NACIONAIS
No Brasil, o desenvolvimento de games educacionais cresce, em grande parte, devido a financiamentos do Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), MEC (Ministério da Educação), MinC (Ministério da Cultura) e das fundações de fomento a pesquisa estaduais.
No livro "Games em educação" (2010, Pearson), o professor da Universidade Anhembi Morumbi João Mattar cita uma série de jogos desenvolvidos no país nos últimos quatro anos, dentre os quais:
- Capoeira Legends : jogo criado pela brasileira Donsoft Entertainment, mostra a vida de negros, índios e brancos no Rio de Janeiro de 1828
- City Rain : jogo criado pela brasileira Mother Gaia Studio, empresa formada por alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru. É um game de estratégia de planejamento urbano que ganhou prêmios internacionais
- Jogo da Cabanagem : desenvolvido pelo LaRV (Laboratório de Realidade Virtual) da UFPA (Universidade Federal do Pará), explora a Revolta da Cabanagem, movimento popular que eclodiu no Pará entre 1835 e 1840
- LabTEVE : coleção de jogos para PC e celulares desenvolvidos pelo LabTEVE (Laboratório de Tecnologias para Ensino Virtual e Estatística) da UFPB (Universidade Federal da Paraíba)
- Tríade : criado pelo Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), o jogo simula o ambiente da Revolução Francesa no período de 1774 a 1793
LABORATÓRIOS VIRTUAIS
Existem vários projetos que utilizam a internet como interface entre o aluno e algum instrumento científico, como microscópio ou telescópio, com o intuito de estimular no jovem o gosto pela ciência. Dois desses projetos são o "Virtual Microscope" e o "Stellarium".
No Virtual Microscope , o estudante tem acesso a uma simulação de microscópio a um banco de imagens que incluem poeira lunar e pata de lagartixa.
No Stellarium , o aluno tem acesso a um planetário virtual, que oferece uma visão realista do céu e a possibilidade de simular eclipses.
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