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27/02/2012 - 16h28

Espanhóis fazem pintura tridimensional em favela de SP

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JULIANA SAYURI
REGIANE TEIXEIRA
DE SÃO PAULO

A convite da Embaixada da Espanha no Brasil, o coletivo BoaMistura esteve na favela Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, para realizar a intervenção urbana "Luz nas Vielas", parte da série "Crossroads: Proyectos de Arte Urbano".

De Madri, os ilustradores Arkoh, Derko, Pahg, Purone e Rdick compõem o BoaMistura, um coletivo de grafite entusiasta da cultura latino-americana, sobretudo brasileira. Nome e sobrenome? Os artistas dispensam. "Preferimos nos apresentar como uma coletividade mesmo, como uma BoaMistura", brinca Pablo Purone, 28.

Eles desembarcaram na capital paulista no dia 2 de janeiro. Ali foram acolhidos pela família de Dimas Gonçalves entre 4 e 16 de janeiro. A missão? Levar cores fortes, palavras inspiradoras e muita luz para a periferia paulistana.

Divulgação
Legendas: Intervenção artística do coletivo espanhol BoaMistura nas vielas da favela na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. Crédito: Divulgação
Intervenção artística do coletivo espanhol BoaMistura nas vielas da favela na Vila Brasilândia, zona norte de SP

Ao lado dos moradores, encontraram vielas e becos que se tornariam painel para suas pinturas com efeito tridimensional. As palavras "amor", "beleza", "doçura", "firmeza" e "orgulho" foram escolhidas pela comunidade para ilustrar o projeto. Com o fim da ação, caíram de amores pela cidade: "Encontramos outro lar na favela", diz Purone.

Os resultados do projeto também devem ser exibidos na Virada Sustentável, programada para o início de junho.

*

sãopaulo - Por que o nome BoaMistura, em português?
Pablo Purone - Somos um coletivo de grafite. E a maioria dos coletivos tem nomes com inspiração anglo-saxônica, como referência aos Estados Unidos. Mas nós somos atraídos pela cultura latino-americana, sobretudo brasileira, pelo espírito colorido, pela alegria e pela diversidade de estilos. Além disso, somos espanhóis e nossos vizinhos, portugueses, também nos encantam. Por isso, escolhemos um nome em português.

Como vieram parar em São Paulo?
Há um ano, fizemos um projeto na Cidade do Cabo, na África do Sul, que se tornou tema do documentário "A Graffiti Affair in Cape Town". Aí a Embaixada da Espanha no Brasil viu e nos convidou. Não podíamos deixar essa oportunidade escapar, pois já era um sonho ir ao Brasil. Temos um ateliê profissional, com trabalho remunerado junto a companhias e estúdios de arquitetura --e é isso que nos permite viver e realizar projetos como os da África do Sul e do Brasil, que alimentam nossa inquietude como artistas.

E como escolheram a favela da Vila Brasilândia?
Na verdade, quando chegamos ao Brasil, ainda não sabíamos o que fazer. E há um detalhe: a obra que fazemos não é "transportável". Não é como um quadro, que pode mudar de galeria para galeria. É um obra na rua, que fica na rua. Por isso, gostamos de vinculá-las e harmonizá-las com o cenário urbano. Quando chegamos a São Paulo, não tínhamos pensado em nada. Mas conhecemos um artista, que nos abriu um caminho. Era Jaime Prades, que se tornou um grande amigo. Ele nos apresentou um rapaz chamado Dimas Gonçalves, que vivia na Vila Brasilândia. E nos convidou a ficar em sua casa, com seus pais, irmãs e sobrinhos.

O que acharam da favela?
Encontramos outro lar. Tivemos o carinho de uma família, a simpatia dos vizinhos e o calor humano de uma comunidade. Eles abriram as portas de casa para nós, estrangeiros que eles nem conheciam. E fizeram isso quando viram que o nosso trabalho era de coração. Nós nos sentimos em casa.

Foram para o Rio?
A ideia era dedicar metade da viagem a São Paulo --e a outra metade ao Rio de Janeiro. Mas não conseguimos. Acabamos ficando muito envolvidos com a comunidade na Vila Brasilândia. São Paulo realmente nos conquistou. No fim, ficamos só cinco dias no Rio, onde fizemos um trabalho no Vidigal, com o pessoal do Nós do Morro.

Se pudesse deixar uma mensagem para São Paulo, qual seria?
Talvez todas as palavras que marcamos na Vila Brasilândia --"amor", "beleza", "doçura", "firmeza" e "orgulho". Mas minha mensagem seria principalmente "amor".

 

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