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23/06/2012 - 18h00

"Quero que as pessoas venham, voltem e saibam o nome do garçom", diz "sommelière"

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STEPHANY TIVERON
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A "sommelière" Daniela Bravin, 37, sempre soube o que queria: um negócio próprio. Como ela mesma diz, "se era certo ou errado, não sei, mas era o que eu queria fazer".

Haroldo Lourenção/Divulgação
A "sommelière" Daniela Bravin, 37, realizou o seu sonho e agora é dona do restaurante Bravin
"Sommelière" Daniela Bravin, 37, realizou o seu sonho e agora é dona do restaurante Bravin (zona oeste de São Paulo)

E parece que ela acertou na fórmula. Inaugurado em fevereiro deste ano, o Bravin tinha fila de espera de dois dias logo na primeira semana.

Instalado onde antes funcionava o Anita, na badalada rua Mato Grosso, em Higienópolis, centro, seu restaurante foca os vinhos, mais até do que a comida, que lá é descomplicada.

Daniela atribui o sucesso à rede de contatos que formou nos últimos 20 anos trabalhando no ramo --ela já foi "sommelière" das casas do chef Benny Novak (Ici Bistrô, Tappo Trattoria e 210 Diner).

LEIA ABAIXO O PAPO DE "SOMMELIÈRE"-PROPRIETÁRIA COM DANIELA BRAVIN:

sãopaulo - Muita gente ficou surpresa com a sua saída do Ici...
Daniela Bravin - Eu sempre soube o que eu estava fazendo. Se era certo ou errado, não sei, mas era o que eu queria fazer e fiz.

Por que abrir um restaurante?
É um sonho antigo. Já tive um bar antes, mas eu era muito moleca na época, estava mais era querendo curtir a vida. Fiquei triste quando ele fechou. Voltei para o mercado de trabalho, mas acho que muita gente nesta área almeja ter um negócio próprio. Eu tinha essa vontade.

Como você fez isso acontecer?
Tenho um parceiro incrível, um sócio que não está na operação, que investiu. Eu me organizei e contei com várias pessoas competentes, uma equipe que me ajudou bastante. Não fiz isso sozinha.

E qual é a ideia da casa?
A ideia é que as pessoas venham, voltem e saibam o nome do garçom, por exemplo. Acho isso importante, porque onde eu frequentava antigamente era assim. Isso foi determinante até na hora de eu fazer o preço das coisas. Queria que fosse um lugar que as pessoas frequentassem amiúde, não um restaurante no qual elas fossem só na "comemoração do aniversário de casamento".

Quem comanda a cozinha?
A inspiração do restaurante vem de uma época em que você não sabia quem fazia a sua comida. Então, aqui a gente não tem chef celebridade, mas tem uma brigada de cozinheiros, tem garçom, tem a Daniela e por aí vai. Eu quis focar na sala.

O vinho no Bravin...
É sempre diferente. Enquanto todo mundo faz cartas enormes, que parecem a bíblia de Gutenberg, eu resolvi elaborar uma semanal com opções em taça diárias. É um desafio para mim. Tem muito vinho bom e a vida é muito curta para repeti-los.

O que mudou na sua rotina?
Hoje eu tenho umas preocupações que antes não eram minhas. Fornecedores, redução de custos, manutenção. Primeiro porque havia pessoas competentes que faziam a parte administrativa e, depois, porque não era o meu trabalho. Mas o que mudou mesmo é que agora eu pago as contas.

E você já passou por alguma "saia-justa" nessa nova empreitada?
Várias. No segundo dia, por exemplo, caiu a luz do restaurante. As pessoas estavam comendo e de repente ficou escuro. Então, eu virei e disse alto no salão "bom, gente, o negócio vai ser jantar a luz de velas" (risos). Quando religaram a energia o som queimou. Tem umas coisas em que você não acredita, mas faz parte. Tem que ter jogo de cintura.

 

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