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22/07/2012 - 02h30

Moda: Rio supera SP em exportações de produtos com preços mais altos

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PEDRO DINIZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Mesmo gastando tradicionalmente menos tecido em suas peças, a moda carioca tem atraído mais dinheiro por item que os produtos feitos em São Paulo. Enquanto o Estado paulista detém o título de maior exportador do país, o Rio consegue vender para fora produtos com um valor agregado mais alto. Esse preço tem relação direta com o desejo de compra que a peça estimula no consumidor.

Levantamento realizado pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) a pedido da sãopaulo mostra que, entre os principais itens exportados por São Paulo, estão peças "commodities" (que ainda vão compor alguma vestimenta), como ligas, suspensórios, espartilhos e artefatos semelhantes. No Rio, lideram o ranking peças já acabadas, como maiôs e biquínis.

Os números revelam que São Paulo exportou, de janeiro a maio deste ano, no setor, cerca de R$ 43 milhões, enquanto o Rio, cerca de R$ 22 milhões. Entre as peças, entretanto, os biquínis e maiôs do Rio alcançam US$ 134,64 o quilo; já os espartilhos e suspensórios paulistas custam US$ 25,48 o quilo.

A reportagem apurou que a grife de lingerie Victoria's Secret é uma das maiores compradoras dos itens paulistas, que são incorporados a outras peças e revendidos a preços mais altos.

De acordo com a Abit, mesmo o preço médio do quilo paulista sendo menor que o do Rio, São Paulo supera a média mundial, que varia de US$ 15 a US$ 20 o quilo e considera todos os
países que exportam itens de vestuário, por menor que seja o volume vendido. Na indústria chinesa, por exemplo, diz a associação, ligas, suspensórios e espartilhos saem por US$ 8 o quilo.

Além disso, a entidade diz crer, por meio de um de seus porta-vozes, que São Paulo está mais desenvolvido em se tratando da "identificação de nichos exportadores", mantendo um valor médio das peças há cerca de dez anos, enquanto o Rio passa por um fenômeno recente de exportações, o que influencia no valor dos itens.

Diretor do programa TexBrasil, um braço da Abit, pelo qual é responsável por gerenciar estratégias de promoção da moda nacional no exterior, Rafael Cervone reconhece que o Rio tem um grande potencial exportador, devido "ao famoso lifestyle solar e descontraído" da cidade. "No entanto, São Paulo pode vender uma moda mais global, com tecidos tecnológicos e um design que se destaque pelo arrojo."

Cervone prefere não discutir os dados levantados pela associação. "Não acredito que o maior potencial de São Paulo seja o de exportar commodities de vestuário como essas."

FATOR BIQUÍNI

Para ajudar a entender o cenário da moda entre Rio e São Paulo, pesquisa da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) divulgada em maio revelou que o Rio registrou crescimento de 3,1% nas exportações, se comparados os primeiros quadrimestres de 2007 e 2012.

O Estado está em primeiro lugar no ranking do vestuário mais valorizado do Brasil, com média de US$ 78,70 o quilo. Já São Paulo, que segundo a pesquisa amargou uma perda 55% em suas exportações, vende o quilo dos itens por US$ 60,40.

"Peças de moda feminina e masculina foram as mais exportadas nesse período. A moda praia continua como um dos segmentos mais valorizados, mas os investimentos em divulgação fizeram com que os outros dois também fossem beneficiados", diz Claudia Teixeira, analista de comércio exterior da Firjan. A roupa para homens produzida no Rio, por exemplo, registrou, no período estudado, aumento de 152% no preço médio das peças.

"A indústria brasileira tem um imenso potencial de expansão. Precisamos olhar mais para toda a cadeia produtiva se quisermos que nossa moda se valorize. Em São Paulo, temos diversidade de estilos e marcas que abraçam tribos diferentes. Essa é a nossa graça", diz Alberto Hiar, da grife paulistana Cavalera, que desfila na São Paulo Fashion Week e cujo carro-chefe são as camisetas. Ainda que as exportações sejam pontuais, ela planeja expandir negócios no exterior.

Essa é a estratégia que a grife carioca de moda praia Blue Man adotou e que preenche o faturamento do ano -defasado quando chega o inverno brasileiro. "Conseguimos abastecer nossos clientes no exterior durante a troca de estações. Se tivéssemos estações iguais, não daríamos conta, principalmente pela falta de mão de obra qualificada, um grande problema no país", diz Sharon Azulay, que assumiu a Blue Man em 2011.

Um biquíni básico da grife chega a ser comercializado no Japão por cerca de R$ 500. O país é o quarto maior importador da moda fluminense e compra por US$ 318,80 o quilo de maiôs e biquínis. Pelo quilo das mesmas peças, só que produzidas em São Paulo, o Japão paga US$ 158,69.

IMPORTADORES

Entre os outros países compradores, segundo dados da Firjan, os Estados Unidos e a União Europeia destacam-se no ranking dos países que mais consumiram o vestuário fluminense em 2011. Em São Paulo, segundo a Abit, países do Mercosul dividem o ranking com EUA e Japão.

"É importante frisar que os países do Mercosul são alguns dos principais parceiros econômicos do Brasil, e é natural que importem o vestuário de São Paulo", afirma Rafael Cervone. O executivo destaca os esforços da TexBrasil em expandir o leque de importadores da moda local.

No mês passado, a Abit recebeu compradores australianos para apresentar a moda produzida no país. "Eles se interessam bastante pela moda íntima e a moda festa. Os asiáticos também estão de olhos no Brasil. Sabia que a lingerie erótica faz muito sucesso nos EUA? Uma empresa foi até convidada para apresentar suas peças em Las Vegas", diz Cervone.

Procurada, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) informou que o Estado não dispõe de um estudo similar ao da Firjan.

 

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