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'Não confunda voto com lixo', pede grupo anônimo de SP
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TRAJANO PONTES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Meio intelectual, meio de esquerda, crítico da classe política, mas pouco ou nada atuante. O tipo descreve com bom humor e uma dose de auto-complacência uma parte dos jovens brasileiros, universitários ou recém-formados.
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Jovens como os que realizaram uma intervenção urbana em São Paulo esta semana, numa tentativa de retirar --a si e a quem visse o resultado do ato-- do permanente estado de inércia em que, segundo eles, estavam antes.
Sob a alcunha de "Brasileiro Anônimo" eles resolveram agir. Na madrugada de 19 de setembro, espalharam 100 falsas urnas eletrônicas por regiões movimentadas de São Paulo. Nas urnas, pode-se ler um conselho direto: "Desta vez, vote no Brasil e não no lixo. O voto é anônimo, mas o problema é público".
A ação talvez passasse despercebida, não tivessem sido os simulacros de urnas gentilmente depositados sobre lixeiras em locais públicos. Segundo o grupo, foram contempladas as proximidades do Monumento às Bandeiras, as avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima, Luís Carlos Berrini, além de áreas próximas a universidades, agências de publicidade e veículos de imprensa. O grupo diz acreditar na causa. E no potencial de tornar o movimento viral.
Veja imagens da intervenção do grupo "Brasileiro Anônimo"
SEM NOMES OU ROSTOS
Publicitário, professor, designer, engenheiro, fotógrafo, advogado. As profissões dos participantes --seriam de 12 a 15 anônimos-- não importam tanto, dizem. Como tampouco importam seus nomes e rostos, que, segundo um participante ouvido pela sãopaulo, poderiam afugentar potenciais participantes da intervenção.
O que se sabe é que o convite à discussão vem de jovens que se dizem não vinculados a correntes políticas específicas ou a interesses comerciais. Mas que desejam ver replicada a ação. Nas urnas, vão também os endereços para a página do grupo no Facebook e para o site, de onde qualquer um pode baixar um "kit urna", imprimir e sair espalhando pela cidades as suas próprias peças de guerrilha.
Segundo o Brasileiro Anônimo ouvido pela reportagem, o resultado já começa a aparecer. Ele diz que já foram mais de 200 contatos por email, alguns enviando fotos de urnas colocadas sobre lixeiras cariocas e catarinenses.
Para o futuro, o grupo diz que pretende acompanhar mais de perto a atuação de prefeito e vereadores eleitos. Montar um site, por exemplo, com formato e linguagem jovens. A acompanhar se o despertar foi pleno ou se o Brasileiro Anônimo voltará a dormir.
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