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21/09/2012 - 08h00

Braço direito do prefeito de NY dá dicas a candidatos em SP

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AMON BORGES
DE SÃO PAULO

Braço direito do prefeito de Nova York, George Fertitta, 67, é um dos responsáveis pela estratégia de crescimento do turismo na cidade americana. Com atuação intensa na gestão de Michael Bloomberg, ele veio ao Brasil para reforçar a parceria entre a NYC & Company, organização de marketing e turismo de Nova York, e a São Paulo Turismo (SPTuris), órgão oficial de turismo da capital paulista.

A intenção é estimular as viagens entre as duas cidades até 2013, por meio de ações de marketing. "Todo mundo conhece o Brasil. Mas a primeira coisa que vem à mente é Rio, todo mundo conhece o Carnaval, a floresta Amazônica. Mas ninguém realmente sabe muito sobre São Paulo", diz Fertitta, que acredita na segurança, no transporte e na comunicação como pontos fundamentais de desenvolvimento no turismo. "Se você não se sente seguro, não consegue atrair pessoas", completa.

Atualmente, os americanos compõem a maior parcela de turistas que desembarcam em São Paulo. Dos 2 milhões de estrangeiros, 480 mil vêm dos EUA, segundo a SPTuris. Para Fertitta, boa comida, museus fantásticos e vida noturna intensa são atrativos de grande interesse dos nova-iorquinos.

Enquanto isso, os brasileiros aparecem na terceira posição no ranking de visitantes de Nova York, atrás apenas de Reino Unido e Canadá. Em compensação, os 718 mil brasileiros que visitaram a Big Apple ficam em primeiro lugar na tabela quando se fala de gastos: em 2011, o total chegou a U$S 1,62 bilhão, de acordo com dados da NYC & Company.

E, para ampliar as cifras, Fertitta está otimista na inclusão do Brasil no programa "Visa Waiver", que permite viagens de turismo e negócios de até 90 dias nos EUA sem a necessidade de visto. "Tenho conversado com Janet Napolitano [secretária de Segurança Interna dos EUA] e todo mundo quer incluir o Brasil nessa lista."

ABAIXO, LEIA O BATE-PAPO COM GEORGE FERTITTA:

sãopaulo - Estamos em eleições, mas pouco se fala sobre o turismo...
George Fertitta -Eu acho que é importante mais promoção sobre São Paulo. Todo mundo conhece o Brasil. Mas a primeira coisa que vem à mente é Rio, todo mundo conhece o Carnaval, a floresta Amazônica. Mas ninguém realmente sabe muito sobre São Paulo. É um ponto importante que as pessoas gastem tempo e esforços para mostrar aos visitantes que eles podem passar mais tempo em São Paulo. É preciso mostrar o quão fantástica é a cidade. Acho que deveriam mostrar isso aos candidatos.

Quais dicas ou conselhos daria ao próximo prefeito de São Paulo?
Nosso prefeito fez NY entender o quão importante é o turismo para a cidade. Tentamos nos comunicar com os visitantes. Ajudá-los e fazer com que se sintam bem. Se virem uma pessoa com mapa, perguntar se precisa de ajuda. Nós temos usado várias celebridades como Robert de Niro, Julianne Moore, Kevin Bacon e muitas outras como parte da campanha para falar aos nova-iorquinos e aos visitantes o quão importante é o turismo e que tentamos ajudá-los. Acho que é um bom conselho. Você também precisa ter a certeza de que as pessoas podem caminhar seguramente pelas ruas. Se você não estiver seguro, você não vai ver o que São Paulo tem a oferecer.

Como a administração pode ajudar no turismo?
Em NY, o impacto do turismo na economia é muito grande. Atingimos, em 2011, aproximadamente US$ 48 bilhões, e nossa meta é US$ 70 bilhões para 2015. Nosso prefeito sabe muito bem a importância do turismo, que gera cerca de 330 mil empregos e cria extraordinária ressonância na área de museus, restaurantes, hotéis. Turismo é o terceiro setor em termos de emprego. Londres entende isso bem, Paris também, algumas das principais cidades do mundo.

Quais os principais pontos a que podem ser creditados esse crescimento?
NY é umas das cidades grandes mais seguras da América. Isso é muito importante. Se você não se sente seguro, não consegue atrair pessoas. Transporte público também é fundamental. E você pode ir a NY com pouco dinheiro ou gastar muito. Estudantes podem ir a NY, e bilionários também. Acho que isso a torna única. Em NY, você pode andar por quase toda parte e contar com uma boa rede de transporte. É possível conhecer diversos lugares diferentes, ter experiências incríveis em espaços diversos por conta desses fatores. Em São Paulo, percebo que há várias áreas e vizinhanças maravilhosas, mas é difícil de chegar até elas. As pessoas gostam de andar pelas cidades. Paris, Londres e Tóquio, por exemplo, oferecem essas experiências. Essa é a chave do sucesso.

Em NY, vocês tentam levar turistas a bairros mais pobres. O Rio de Janeiro promove tours pelas favelas. Acredita que em São Paulo seja possível explorar mais essa área?
Eu estou certo disso. É possível. Todas as cidades têm bairros melhores que os outros. Quase todo visitante quer experiências novas. Há 15 anos, era difícil alguém querer ir ao Brooklyn para turismo. Agora, é um dos principais destinos. O Queens tem uma das melhores comidas de NY e agora pessoas vão até lá. É preciso criar atrações nessas áreas.

É a sua segunda vez em São Paulo. Qual sua visão sobre a cidade?
Eu acho que tem uma energia muito parecida com a de Nova York. Aqui, todo mundo me parece trabalhar muito e aproveitar a vida. Há muitas similaridades entre as duas metrópoles. Mais do que em outras cidades no mundo. Trabalho duro, gostam de se divertir, amor pela cultura. O Brasil é muito importante para o turismo de Nova York. É o terceiro em número de visitantes, mas é a população que mais gasta dinheiro lá. Amamos brasileiros.

E como está o processo de inclusão do Brasil no programa "Visa Waiver"?
O processo está muito melhor. Estou muito otimista quanto a isso. Tenho conversado com Janet Napolitano [secretária de Segurança Interna dos EUA) e todo mundo quer incluir o Brasil nessa lista. Demora um tempo, mas gostaria que isso acontecesse em três ou cinco anos. Isso é o que eu gostaria, mas não sei quando acontecerá (risos). Estou otimista, pois temos 1,5 milhão de visitantes brasileiros e eu aposto que esse número dobraria com o "Visa Waiver".

 

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