Filarmônica de Lemberg exibe obras criadas em campos de concentração

"Nossa dedicação à música é proporcional à nossa vontade de viver." Atribuída ao músico Bullmann, um dos judeus assassinados nas câmaras de gás, a frase resume o tom do projeto Tesouros Musicais do Holocausto.

Encabeçada pelo maestro brasileiro Ricardo Calderoni e apoiada por pesquisadores, músicos e instituições como a Unesco, a iniciativa resgatou cerca de 2.500 obras compostas em campos de concentração durante o Holocausto —escritas à mão, muitas ficaram perdidas e foram encontradas tempos depois em baús de metal.

O resultado pode ser conferido em primeira mão em concerto no Clube Hebraica, na sexta-feira (13). O espetáculo será apresentado pela tradicional Orquestra Filarmônica de Lemberg -fundada por Franz Mozart, filho do famoso compositor austríaco, em uma das cidades dizimadas pelo episódio e que, hoje, pertence à Ucrânia- e regido pelo premiado maestro lituano Ilya Stupel. Participam a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e o próprio diretor artístico do projeto, Calderoni.

"Conhecendo a história, quando ouvimos essas músicas, percebemos o lado positivo, de alegrias e esperanças", conta Calderoni, que, assim como o maestro convidado, é descendente de sobreviventes do episódio. "Mesmo muitas vezes longe dos instrumentos, esses músicos compunham desde canções de piano e voz até sinfonias com massa sonora", completa.

O projeto pretende trazer à tona esses compositores. "Inevitavelmente a música atinge uma camada muito profunda nas pessoas. Essas refletiram o que tinha de mais bonito e eram um refúgio para os autores", diz o maestro.

Hebraica - R. Hungria, 1.000, Jardim Europa, tel. 3818-8888. Sex. (13): 21h. 90 min. 16 anos. Ingr.: R$ 140 a R$ 800. CC: todos. Ingr. p/ 4003-1212 ou ingressorapido.com.br.

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