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Relógio de 75 anos no centro é liberado da Lei Cidade Limpa para sobreviver
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NATÁLIA ZONTA
DE SÃO PAULO
Há 75 anos ele não deixa ninguém na mão. Segundo seu proprietário, desde que foi instalado na praça Antônio Prado (região central), em 1935, o relógio de ponteiros marca a hora certa. Feito de ferro e granito, o último exemplar desse tipo que restou na cidade está prestes a recuperar uma de suas maiores características: a publicidade.
| Paulo Pampolin/Hype |
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| Desde que foi instalado na praça Antônio Prado (região central), em 1935, o relógio de ponteiros marca a hora certa |
A notícia garante a sobrevivência do relógio tombado em 1992 por mais bons anos. Cercada por um jardim, a engenhoca de oito metros pertence ao engenheiro Mário Montini de Nichile, 69, que a herdou de seu pai, Octávio de Nichile. "Ele era publicitário e pediu para colocar relógios no centro e vender um espaço para propaganda, uma ideia inovadora na época. Também havia um no largo do Arouche e outro na praça da Sé. No total eram seis e restou apenas esse. A prefeitura cedia o local e ele conservava o equipamento. Coisas de uma São Paulo que não existe mais", diz Nichile.
Em 2006, por causa da Lei Cidade Limpa, os anúncios tiveram de sair. "Prometi ao meu pai, que morreu em 1986, que cuidaria do relógio. Sem poder vender o espaço publicitário, tenho de gastar com manutenção, luz e limpeza sem contrapartida", conta. Desde que a legislação que limita a propaganda entrou em vigor, Nichile tenta convencer a prefeitura a incluí-lo no artigo que permite a publicidade quando ela se torna "um ponto de referência".
No último dia 8, a Comissão de Preservação à Paisagem Urbana decidiu liberar o relógio De Nichile, como foi batizado. "Ele foi concebido com essa intenção e, por isso, decidimos colocá-lo nessa categoria", explica Regina Monteiro, presidente do grupo.
"Pensava que era uma causa impossível. Nem acreditei quando recebi a notícia", diz Nichile. O engenheiro não revela qual o valor que cobra pelo espaço. "Só digo que meu pai conseguiu formar cinco filhos com o dinheiro dos relógios, mas morreu sem quase nada." Antes da proibição da propaganda, ele tinha como patrocinador o banco HSBC.
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