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27/11/2011 - 09h16

Brasileira orienta e acalma grávidas famosas na hora no parto

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FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES

A brasileira Ana Paula Markel já viu celebridades de Hollywood por ângulos bastante distintos: correndo de carro blindado pelas ruas de Los Angeles, escondendo-se em hospitais com codinomes secretos e, finalmente, dando à luz na sala de parto, descabeladas.

Ela não é médica nem parteira. É doula, uma atividade que vem crescendo nos EUA na última década, levada pelo desejo de mães e pais de ter um apoio maior durante a gravidez e uma experiência mais agradável na hora do parto.

Com as clientes que já ajudou, como Penélope Cruz e Alanis Morissette, Ana Paula acabou conhecida como a "doula das estrelas". "A ideia é cuidar das grávidas como se eu fosse aquela amiga mais experiente", explica a paulistana de 40 anos, mãe de quatro filhos e radicada nos EUA desde 1999.

"Nosso trabalho é emocional, físico e informativo. Tiramos dúvidas e conversamos sobre as emoções e os medos de virar mãe. Na hora do parto, ajudamos nas posições, massagens e explicamos ao parceiro que aquele barulho que ela está fazendo é normal."

Jeremy Samuelson
Modelo Michelle Alves e os filhos Oliver e Mia, cujos os partos foram auxiliados por Ana Paula Markel
Modelo Michelle Alves e os filhos Oliver e Mia, cujos os partos foram auxiliados por Ana Paula Markel

A origem do nome doula vem do grego antigo para "ajudante ou escravo da mulher". Não foi traduzido nem para o inglês nem para o português. Hoje, doulas são voluntárias em hospitais do mundo todo, incluindo o Brasil, ou trabalham de forma particular.

Em geral, o serviço de uma doula começa no segundo trimestre da gravidez e, nos EUA, varia de US$ 700 a US$ 3.000 (entre R$ 1.000 e R$ 5.000). A profissional encontra o casal duas ou três vezes para conversar e fica presente durante o parto, seja cesárea ou natural, no hospital ou em casa.

CELEBRIDADES

Ana Paula tem oito anos de experiência e hoje também treina colegas em seu estúdio, o Bini Birth. Em uma rua tranquila no bairro de North Hollywood, o Bini Birth fica em uma sala espaçosa cheia de almofadas, sofás aconchegantes e esculturas de barro de grávidas que trouxe do Brasil.

Foi ali que a cantora Alanis Morissette se sentou com outras futuras mamães para participar de um workshop regado a sopinhas, quiches e sobremesas orgânicas. "Ficou todo mundo meio chocado quando ela chegou. Tem famosa que jamais viria a uma aula com outros casais, tem paranoia de câmera porque está gorda, acha que está feia", conta Ana Paula, lembrando a tranquilidade de Morissette, de moletom. Seu filho nasceu em dezembro de 2010.

Já Penélope Cruz "é talentosa até parindo, é incrivelmente forte", diz Ana Paula.

A lista de celebridades também inclui a atriz americana Christina Applegate, a boxeadora Laila Ali, filha de Muhammad Ali, e as modelos brasileiras Michelle Alves e Camila Alves (sem parentesco), ambas residentes de Los Angeles.

Michelle Alves narra sua experiência: "Ana Paula me guiou, ajudou a me concentrar, fez massagem nas minhas costas. Ela também me ensinou a 'empurrar' lá embaixo. É muito esquisito ter essa consciência do corpo, de qual músculo usar".

"Uma hora, depois de eu já ter empurrado muito, vi que a doula falou alguma coisa com o médico e eles resolveram me virar de lado e depois de volta. Aí dei a última empurrada e o Oliver nasceu. Foi tudo muito rápido, graças ao trabalho dela", conta Michelle, que está grávida do terceiro e vai ter a ajuda de Ana Paula novamente.

PARTO NATURAL

A profissão de doula vai, aos poucos, quebrando a barreira da desconfiança. Há alguns anos, havia muita resistência dos médicos em aceitá-las nos hospitais, por medo de que fossem convencer as grávidas a fazer parto natural e não cesariana, um método cirúrgico mais rápido e lucrativo para o hospital.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um índice saudável de cesáreas num país é de apenas 15%. Nos EUA, o número orbita os 30% e, no Brasil, superou os 50% no ano passado, atingindo um dos índices mais altos do mundo.

Apesar de não ser profissão regulamentada, doulas podem ser certificadas por instituições, como a Dona International, hoje com 7.000 membros, contra 754 em 1994.

"A procura aumenta na medida em que as mulheres aprendem mais sobre as intervenções médicas e seus efeitos colaterais", diz Lori Hill, diretora de comunicação da Dona. "É provado que a presença de uma doula treinada diminui o número de intervenções não desejadas."

A americana Erica Saltiel Levin, 42, corretora de imóveis que vive em San Francisco, lembra que procurou uma profissional porque queria evitar a cesariana e ter uma pessoa para ajudá-la a lidar com enfermeiras e médicos no hospital.

"A gente sempre escuta histórias de médicos que tomam decisões baseados em seus interesses e agendas", disse Erica, que deu à luz um menino em 2009. "As mulheres querem um apoio para ter certeza de que seus desejos serão respeitados."

A brasileira Mayra Calvette, 24, uma das enfermeiras obstetras que auxiliou no parto de Gisele Bündchen, na banheira da casa da modelo em Boston, diz que é possível usar métodos naturais para aliviar a dor do parto, como se movimentar ou usar água quente.

"É também o trabalho da doula e que está integrado ao meu", conta Mayra, que hoje mora nos EUA e se prepara para viajar pelo mundo para fazer um documentário. "Vou mostrar como é o parto em diversos países. Muito do medo do parto natural vem da desinformação."

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