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25/11/2012 - 03h00

Com ares de 'CSI', obra de 150 anos é a primeira do Masp a ser restaurada

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CHICO FELITTI
DE SÃO PAULO

A brasileira Moema se recolheu para seis meses de tratamento, dos quais voltará mais viçosa do que nunca.

Já era hora: ela tem quase 150 anos de idade. "Moema" é o nome do quadro de Vitor Meirelles de Lima (1832-1903), primeira obra do Masp a passar por um restauro patrocinado.

O 'lifting' começou em junho e segue até a virada do ano. Os reparos se dão nos fundos do museu, e têm ares de "CSI".

Antes de qualquer pincel ser levantando, um físico foi importado à avenida Paulista. Ele fez versões da obra em ultravioleta, infravermelho e raio-X, para descobrir o tipo de pigmento usado e até os traços encobertos atrás da pintura, que retrata a lenda de Moema morrendo afogada ao nadar atrás do português por quem se apaixonou.

Na análise, descobriu-se que o quadro já tinha sido restaurado outras duas vezes.

Os remendos, feitos há décadas, começaram a saltar para a frente da tela. "Faremos tudo reversível, para facilitar os próximos reparos", diz a restauradora Karen Cristine Barbosa, do museu. A parceria com o setor privado permitiu que Karen contratasse uma assistente e comprasse uma câmera para documentar detalhes das pinturas.

A patrocinadora da empreitada (e quem escolheu a obra a ser salva) é o Bank of America Merrill Lynch, fusão do maior banco de varejo dos EUA com a gestora de patrimônio que se envolveu num escândalo financeiro em 2007, fazendo arte com o dinheiro alheio.

DOURANDO A PÍLULA

O quadro retornará acompanhado de reprodução da moldura neo-barroca com a qual veio ao mundo. Desde 1910, o maciço de madeira folheada a ouro tinha sido substituído por uma frisa modernista.

Mas velho é o novo novo. E o moldurista polonês Andrej Kosierkiewicz, 46, foi escalado para refazer a estrutura que abraça a obra. Esculpiu com as mãos a estrutura de madeira cheia de rococós que vai receber 500 folhas de ouro 22 quilates (praticamente puro) que dourarão a moldura, num processo que mais parece receita de bruxaria.

A água para a lavagem da madeira é misturada com pele de coelho. A bandeja do ouro é feita de pele de cordeiro. O pincel para levar as folhas de metal, de pelo de marta. "Usa-se também pele de tubarão para lixar a madeira, mas não tem por aqui", diz Kosierkiewicz.

"Moema" voltará do retiro em março. Ao redor dela, serão dispostas outras das dez telas que, combalidas, precisam passar pelo mesmo processo, mas ainda não tem ninguém Interessado em pagar a conta.

"Vamos ver se mostrando o que podemos fazer outros se animam", torce Karen.

 

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