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Serafina

Ana Cañas já gravou clipe pelada e diz ter sido resgatada do fundo do poço

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Pessoalmente, a cantora paulistana Ana Cañas, 33, impressiona tanto quanto a sua música, talvez mais. Não que a bela e sedutora descendente de espanhóis, partidários do ditador Franco no ramo materno e comunistas no paterno, que para ganhar a vida já deu banho em cachorros, trabalhou em escola de natação e foi vendedora em várias lojas de shopping, não tenha decolado uma notável carreira artística. 

Suas performances no bar Baretto, do hotel Fasano, em São Paulo, entre 2005 e 2007, cantando jazz, bolero e MPB, atraíram a atenção de Chico Buarque e Caetano Veloso. 

Desde então, já emplacou hits em novelas globais, como "Esconderijo", da trilha sonora de "Viver a Vida". Realizou parcerias com artistas importantes como Arnaldo Antunes e Nando Reis. Gravou três discos, com composições próprias e algumas interpretações. E agora lança o DVD "Coração Inevitável", gravado no teatro GEO, em São Paulo, em um show dirigido por Ney Matogrosso. 

Ney explica o que o atraiu no projeto: "Não gosto de gente normal. Quando vi Ana cantando nua no clipe 'Volta', de cara adorei. Não tem nada de vulgar ali". O conceito do trabalho foi mostrar o "lado mulher" de Ana, em contraponto a seu "lado adolescente", presente nas composições anteriores, de acordo com ele. 

E é justamente o DVD que apresenta o que Ana tem de melhor: seu poder performático. "Eu amo o palco, é nele que a vida acontece. É como pular no abismo, nele morro e renasço", diz a cantora em seu apartamento, na cobertura de um prédio, nos Jardins, onde vive com seus três gatos recolhidos na rua e um dos quatro irmãos mais novos, Rafael. 

Vinda de uma kardecista, que frequenta um centro espírita com assiduidade, a frase ganha outra dimensão. "Claro que acredito em outras vidas. É só ler 'Uma Estadia no Inferno', de Rimbaud. Como alguém com 17 anos seria capaz de escrever uma obra-prima como essa?", indaga.

O repertório do DVD vai de Led Zeppelin a "La Vie en Rose". Mas a base é MPB, sigla que ela acha que deveria cair em desuso: "Está desgastada, não devia mais nem existir. O que é MPB hoje?" 

A conversa é pontuada pelos encontros que Ana teve com amigos ilustres. "Outro dia estava discutindo com o Marçal Aquino [escritor e roteirista] se a vida é maior que a arte ou o contrário. Quase quebramos o pau. Para mim, a arte é maior, porque ela traz o que de melhor a vida nos oferece", diz. "Em primeiro lugar, é preciso cantar com a boceta", resume, como se fosse seu grito de guerra.

AUTODESTRUTIVAS SOCIAL CLUB

"Meu problema é esse: me identifico com cantoras que não se importam tanto com a voz, que são autodestrutivas, como Janis Joplin e Elis Regina." 

Ana estudou artes cênicas na USP e só descobriu a vocação para a música depois dos 20 anos, quando entrou em contato com a obra de Ella Fitzgerald. "Sou uma péssima atriz e, quando disse isso ao [ator] João Miguel, ele respondeu: 'Geralmente, quem diz isso são as melhores'."  Por duas vezes tentou estudar música, mas largou. Até hoje não sabe ler uma partitura. "Admito que não seja tão interessada em adquirir esse conhecimento técnico." 

A faceta autodestrutiva se manifestou de maneira mais escancarada em 2006, quando perdeu o pai. "Ele bebia muito, e eu, que nunca havia colocado uma gota de álcool na boca, passei a beber", conta. O recorde foram sete doses de tequila em 40 minutos, antes de uma apresentação em Madri, na Espanha. 

"A sorte é que havia pessoas especiais por perto.  Arnaldo Antunes já me resgatou do banheiro, enquanto eu chorava e dizia que abandonaria a carreira, que era uma péssima cantora", lembra. Foi Ney Matogrosso quem a tirou do poço. "Um dia, ele me perguntou: 'E aí, você vai pegar esse talento e trocar por um porre?' Resolvi pensar sobre, e parei."

MACHISTA, EU?

Recentemente, Ana se envolveu em uma polêmica nas redes sociais por conta de uma entrevista na qual afirmou que "as mulheres estão tão peladas hoje que os homens não têm mais o que descobrir". Muitos a consideraram machista. 

Ana discorda: "Logo eu, que sou uma mulher completamente independente, que estudou a luta da causa feminista? Existe uma banalização, uma vulgarização, começando pelas capas de revista". 

A pedido da reportagem, ela reelabora a frase que foi objeto de polêmica: "Desnudar-se sempre. Mas no tempo da alma, da grande beleza, da poesia idiossincrática e subjetivos afins". 

Além do clipe "Volta", Ana lembra que já tirou a roupa em público em outra ocasião, numa performance na faculdade. "Foi de improviso e diante de centenas de pessoas. Pelo menos ali eu fui observada, porque, até então, era como se eu não existisse para eles. Não me entendia com 80% dos alunos e professores." 

Diz gostar menos de "Ninfomaníaca" do que de outros filmes do diretor Lars von Trier. "Achei muito superficial sua visão sobre a sexualidade feminina. Enfim, o mundo seria bem mais chato se Eva não tivesse comido a maçã." 

Ana foi casada por nove anos com o artista plástico Flavio Rossi. Separou-se há um. Hoje, namora o guitarrista Lúcio Maia, da Nação Zumbi. Pretende acrescentar quatro tatuagens às sete já existentes. São elas: a reprodução da assinatura do cineasta Ingmar Bergman, o desenho de um peixe que remete aos primórdios do cristianismo, o símbolo de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, e a palavra "savage", com o estilo de tipografia de uma máquina de escrever. 

Quer lançar um novo CD até o fim do ano. "Sou muito exigente comigo, a ponto de achar que não fiz ainda um disco suficientemente bom." Embora tenha boa técnica vocal e capacidade de improviso, no todo a sonoridade de Ana Cañas ainda carece de uma identidade própria, e essa parece ser a busca da artista.

E qual seu sonho? "É fazer como a poetisa Hilda Hilst, comprar uma casa longe de tudo e mandar todo mundo se foder."

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