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Estilistas conseguem despertar interesse pela moda nos brasileiros?

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As preocupações com o futuro da moda brasileira voltaram a dominar as conversas das pessoas a ela relacionadas. Parece haver uma perda de confiança nos negócios e no significado econômico, social e cultural do trabalho criativo com a moda no país.

A economia explica em grande parte o desânimo. Os tempos andam difíceis para as grifes "históricas", ou seja, aquelas que, nas últimas décadas, buscaram consolidar seu nome, seu estilo e seu prestígio.

Revista Serafina
Arte para coluna "Roupa Íntima", da Serafina
Arte para coluna "Roupa Íntima", da Serafina

Velhos problemas, como o chamado "custo Brasil", a debilidade do sistema industrial, a qualificação da mão de obra, a falta de apoio estatal, a administração amadorística das marcas e as limitações do mercado consumidor "de luxo" local, servem mais uma vez como argumentos para explicar por que os estilistas brasileiros têm tanta dificuldade em firmar uma moda autoral e consistente.

A tais problemas, somam-se agora a aclimatação progressiva das marcas internacionais no país, o turismo de compras da classe média no exterior e o enfraquecimento destas vitrines culturais da moda que são as "fashion weeks".

Sim, todas essas explicações fazem sentido, mas talvez seja o caso de perguntar também: será que os designers, as grifes e as instituições do setor conseguiram, de fato, despertar nos brasileiros algum interesse pela moda e sua função na economia e na cultura do país, como fizeram os franceses e os italianos há tanto tempo?

Penso que não conseguiram. E prova disso foi a forte reação contra o projeto que autoriza os estilistas a recorrerem à Lei Rouanet. Era uma coisa miúda, mas os debates ressuscitaram a questão arcaica, que já se supunha resolvida: saber se a moda é ou não é importante do ponto de vista cultural e artístico.

A moda, por ser criação relacionada ao corpo e às aparências, suscita grande ojeriza nas mentalidades "essencialistas" e religiosas. O aspecto mundano e festivo do "meio fashion" também perturba bastante os moralistas.

Pouca gente, entretanto, parece se incomodar com as mundanidades sazonais do cinema, da literatura ou das artes plásticas, com seus festivais, bienais e feiras, ou com o atrelamento de todos eles ao mesmo sistema econômico de que faz parte a moda. Em todos esses mundos culturais —que já tive oportunidade de frequentar—, também existe vaidade, competição, oportunismo e frivolidade.

São sentimentos demasiadamente humanos, bem distribuídos por todas as atividades, mas para muitos é somente a moda que exibe, sem ranço de vergonha ou culpa, todas as veleidades do mundo e toda a alienação das gentes.

É óbvio que, para superar os impasses atuais, a moda brasileira precisa, antes de tudo, encontrar meios de se consolidar industrialmente (e eu me pergunto se, para isso ocorrer, não seria preciso romper com a visão elitista de certas grifes, que se limitam a difundir seu design a uma só classe social).

Mas outra tarefa do meio da moda consiste em irradiar no país uma visão mais consistente e responsável da atividade que pratica, enfatizando o significado que ela tem (ou pode ter) para a economia e para a vida social e cultural do país.

Como nas demais áreas da cultura, esse "esclarecimento" se faz por meio de atividades institucionais (exposições, cursos, debates etc.) e de práticas intelectuais (crítica sólida e atuante, boas publicações impressas ou digitais etc.). Faz-se também por meio de atitudes pessoais —e valeria a pena que estilistas se capacitassem um pouco mais para assumir um lugar relevante na vida cultural e no interesse de todas as pessoas.

ALCINO LEITE NETO, ex-editor de moda da Folha, é editor da Três Estrelas

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