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Serafina

A jornalista Maria Prata explica por que o conceito de VIP está em baixa na moda

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Poucos dias antes de começar a Copa, estive em Itaquera. Faço parte da chamada elite branca, mas, ao contrário dos milhares de "yellow blocks" que baixaram por aquelas áreas (VIPs) para vaiar a presidente, passei reto pelo Itaquerão.

Dirigi por mais 40 minutos rumo ao leste da cidade e, quando não havia mais nada além da rua de terra onde estava, cheguei à Cohab Itaquera.

Ilustração sobre arte de divulgação

Ali, no primeiro andar do prédio pintado de vermelho, num apartamento de chão azulejado decorado com cortinas e almofadas de fuxico e uma tevê de tela plana de 29 polegadas ocupando uma parede inteira, conheci Anete Cavalcante.

Formada em direito pela Unicid, é funcionaria de um banco e ganha pouco mais de R$ 2.000 por mês. Mora com a mãe e o irmão, com quem divide o quarto pequeno, com cama beliche e um armário de três portas.

Vestida com regatinha florida de tecido sintético, calça skinny amarela e sandálias de salto anabela da mesma cor, Anete me mostrou, em seu smartphone, como monta suas produções diárias. Segue, no Instagram, perfis de marcas como Dior, Chanel, Burberry e Dolce & Gabbana, além das principais blogueiras de moda do Brasil. "Quando vejo um look e não tenho como fazer igual, salvo no celular e vou para o shopping comprar peças parecidas."

O propósito da minha visita era a gravação de "Moda S/A", série que desenvolvi para o canal GloboNews e que destrincha a influência que a internet e as redes sociais tiveram nesse setor. A tão falada democratização da moda.

Anete é o exemplo perfeito desse cenário: pela internet, se informa nas mesmas fontes e ao mesmo tempo que muitas das convidadas encarapitadas nos camarotes mais exclusivos do Itaquerão.

A diferença é que ela monta seus looks em lojas populares, como Renner, Riachuelo e Marisa, ou pede para sua mãe, costureira, que faça um modelo igual. E fica bem satisfeita com isso, obrigada. "Hoje, ninguém precisa pagar tão caro para se vestir na moda. Essas lojas fazem as mesmas coisas, bem mais barato", ensina. "Aliás, preciso comprar peças claras para este inverno, li que isso vai ser a cara da riqueza!", emenda.

Anete sempre gostou de moda. Adolescente, assinava revistas, sonhava com as roupas. Hoje, tem acesso às informações pela internet e ao consumo pelas redes de varejo, chamadas "fast fashion", justamente por traduzir, rapidamente, o que está nas passarelas e nas ruas de Paris, Nova York e
Milão, a um preço que Anete e os mais de 40 milhões de novos consumidores brasileiros podem bancar.

Sabemos que as "traduções" das coleções internacionais, a preços baixos, incomodam as grifes de luxo, e a questão do direito autoral deve ser discutida. Muito mais grave que isso, há situações inaceitáveis no esquema de produção do "fast fashion", incluindo casos de trabalho escravo que estão sendo seriamente investigados e punidos pelo Ministério Público do Trabalho e devem ser erradicados com urgência, não apenas das grandes redes de varejo, mas de qualquer indústria, de qualquer país.

Meu ponto, aqui, é o acesso. Escrevo sobre o fenômeno da democratização da moda há anos. Mas precisei ir até aquele apartamento para entender o verdadeiro poder desse termo. Ali, com Anete de sorriso largo abrindo seu guarda-roupas cheio de tendências, percebi o quanto o impacto que a internet teve na moda mexeu, também, com a vida de tantas pessoas. O que era de poucos hoje pode ser de muitos. O mundo do "eu sei, você não sabe", "eu tenho, você não tem" nunca esteve tão em baixa. A moda saiu da área VIP e foi pra geral.

Maria Prata apresenta o programa "Moda S/A", na GloboNews, segundas às 23h.

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