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Serafina

Fernanda Lima fala sobre morte e ressurreição de 'Amor e Sexo'

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Fernanda Cama Pereira Lima não emana elã às oito da manhã. A mulher magra, com rosto anguloso e sério, não usa bolsa. Chega puxando atrás de si uma mala de rodinhas. Veste uma opção pouco ortodoxa de moda: camisa de seda, pantalona de jeans escuro e espadrilhas com salto plataforma de juta e cabedal também jeans, com um tom mais claro do que o da calça.

Cumprimenta todos os presentes com um beijo, pede um carregador de celular emprestado e pergunta: "Podemos começar?". A apresentadora e ex-modelo de 38 anos vai encarar, antes do café da manhã, uma conversa sobre o fim do projeto em que "mais se jogou na vida".

Um mês atrás anunciou o fim de "Amor & Sexo", programa de auditório em que, por sete anos, ela peitou assuntos da alcova na TV aberta. Falou sobre sexo anal e suruba se valendo de uma só fórmula: "Delicadeza, graça e um pouquinho de putaria". O sucesso, que a firmou como apresentadora, veio após algumas tentativas de novela no canal: "Eu tive que me submeter, sabia que não era a minha, mas pediram para eu fazer".

A ideia da atração tinha sido dela, que assumiu o texto junto com Antonio Amâncio na terceira temporada. "Foi fortíssimo. Não sei o que seria ir mais longe do que dizer 'aquendar a neca' [simular uma vagina escondendo o pênis, no jargão LGBT] na Rede Globo."

Na falta de frutas frescas (a salada de frutas que come já veio num potinho plástico), Lima descasca o esmalte das unhas enquanto fala sobre a escolha de sacrificar o programa. "Não foi muito pensado, foi meio inconsequente."

O canal discordava desse fim. "Estamos abertos para a possibilidade de ter mais, depende muito da Fernanda", diz Ricardo Waddington, diretor que comanda todos os programas de entretenimento das noites do fim de semana. Um dia após a entrevista, na quinta (20) anunciou-se a ressurreição de "Amor & Sexo". "Só é para voltar se for ter novidade. Não vai ser mais do mesmo", ela diz.

A copeira do estúdio Bob Wolfenson, onde foram feitas as fotos deste ensaio, interrompe a conversa. "Quero fazer uma foto com a minha menina de todos os sábados." Ela se levanta e sorri, dando o primeiro lampejo da apresentadora Fernanda Lima, para logo em seguida voltar à seriedade habitual —ao menos às nove da manhã.

"Eu sou quase um caramujo na vida normal." São luzes da televisão e os olhos da plateia que a acachapam, garante. "Me transformo. Eu gosto muito."

Fernanda se permite filmar no processo de transição entre uma personalidade e outra, com os cabelos cravejado de grampos. "As pessoas que me encontram na rua dizem que sou menor, mais miudinha do que esperavam. A idealização é delas." Diz se preocupar com o efeito da estética inalcançável de sua imagem em capas de revista, photoshopada. "Até porque eu sou uma pessoa comum. A mais comum delas. Não tenho cintura, sou reta."

Com o fim temporário do programa, que volta em 2017, ela encaramujou por dois meses. Tornou a fazer ioga pelas manhãs. Tratou de colocar o relógio biológico em dia. Dorme às 22h30 e acorda, no mais tardar, às 7h. Passou a levar os gêmeos João e Francisco, 8, à análise e ao dentista, para tratar as primeiras cáries —ela baniu o açúcar refinado em casa, mas balas e outros doces chegaram às suas bocas por outras mãos.

OUTROS FINS

É a vez do marido, o apresentador Rodrigo Hilbert, 35, passar um mês fora para gravar seu programa de culinária do GNT. "A gente nunca precisou combinar esse revezamento. Sempre rolou"

Ela terá tempo pois, enquanto o "Amor & Sexo" era uma estrutura que ela levantava a partir do chão, o dominical "Superstar", que apresenta hoje, é como uma casa pronta e mobiliada, onde só vai morar. A competição entre bandas, cuja segunda temporada estreou há um mês, é um formato estrangeiro licenciado, com pouco espaço para criação.

"Na primeira temporada, nem queriam que eu desse opinião. Agora, sinto que posso me apropriar." Ao menos o formato é ao vivo, o grande tesão dela —programa gravado é um coito interrompido, para ficar no universo erótico. Tanto que filma o show de sexo sem interrupção. "Para no meio, cai muito a energia."

Energia que não falta à gaúcha, atesta outra ex-modelo. Fernanda e Helena Rizzo se conheceram num desfile em Porto Alegre, duas décadas antes da segunda ser eleita a melhor chef do mundo pela revista "Restaurant", em 2015.

Contrariando a fama da categoria, de faquires que não comem, as duas aproveitavam viagens para conhecer restaurantes estrelados ao redor do mundo. Helena acabou indo trabalhar em um deles, na Espanha. "Um dia ela foi me convencer a voltar, disse que conhecia gente interessada em abrir um restaurante."

Faz dez anos que são sócias no Maní, restaurante nos Jardins. "Ela é bem cricri, opina bastante. Às vezes é tão honesta que chega a ser íííín [barulho de unha contra uma lousa]. Mas nunca tivemos problemas, prefiro assim", diz a chef.

O convívio com outra das melhores amigas acabou de súbito. Três anos atrás, a diretora Gisela Matta morreu atropelada enquanto andava de bicicleta na esquina da sua casa. "Eu só chorava. Achava que meus filhos não entendiam, mas eles sentiam tudo."

Rodrigo desenvolveu uma psoríase de fundo psicológico que se espalhou pelo corpo todo. Logo, as crianças começaram a perguntar coisas como: "Mamãe, os 'ladrõex' vão para o inferno?" (ela os imita com sotaque puxado para o carioquês). O que ela fala sobre esse outro fim? "Eu digo: 'Eu não sei'."

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