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Serafina

Julianne Moore, 56, dribla estigma de poucos papéis para mulheres maduras

Jordan Strauss/Associated Press
Julianne Moore arrives at the Oscars on Sunday, Feb. 22, 2015, at the Dolby Theatre in Los Angeles. (Photo by Jordan Strauss/Invision/AP) ORG XMIT: CACJ168
Atriz Julianne Moore na cerimônia do Oscar, em 2015.
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Julianne Moore é daquelas atrizes que, ao vivo, não são nem mais belas nem mais feias que no cinema. Possui apenas um pouco menos de sardas (ou talvez tenha só acertado na maquiagem) e é uma presença magnética.

A entrevista foi concedida no último festival de Veneza, na promoção de "Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso", de George Clooney (que estreia em 21 de dezembro).

Na conversa, volta e meia joga os cabelos ruivos para trás com os indicadores; sabe ser charmosa. Usa um vestido preto com fios esvoaçantes - a certa altura, um filete rebelde se desprende e flutua, e ela se atrapalha: "Desculpa, estou tendo um probleminha com meu vestido... É Prada! Estou na Itália, afinal!", diz, às gargalhadas.

É provável que a maioria das novas estrelas de Hollywood fizessem tudo por uma carreira como a dela. Além de popularidade e prestígio, Julianne tem um Oscar e prêmios dos três maiores festivais de cinema do mundo (Berlim, Cannes e Veneza). E, aos 56, passa ilesa pela fase mais crítica na trajetória de uma atriz, quando a idade faz bons papéis sumirem. Prova disso é que esteve em dois tapetes vermelhos importantes em 2017: além do de Veneza, promoveu em Cannes "Sem Fôlego", de Todd Haynes, que estreia em 4/1.

"Quem teria uma ambição tão grande? No começo, meu objetivo era só achar trabalho!", diz Julianne. "Nesse ramo, só conseguir um emprego - ou um agente - é um grande desafio. Eu acho que a juventude te permite sobreviver a isso, porque quando você é jovem não sabe direito o quão impossível tudo vai ser. Eu tinha 17 anos e um dia disse a meus pais: 'Quero ser atriz'. E então aconteceu!", relembra. "Sou muito sortuda por ter tido as chances que eu tive, e também com o reconhecimento que têm me dado".

Mas uma carreira como a de Julianne não se constrói só com ajuda do acaso. É preciso vocação, claro, mas a atriz também se dedica a pensar na importância de cada trabalho. "Com os anos, cada vez mais me pergunto: 'Foi importante fazer esse filme?', 'Como foi trabalhar com essas pessoas?', 'Atingiu o que pretendia?'. Uma vez feita essa avaliação, aí penso em como aquela obra foi recebida em termos financeiros e de crítica. Não temos controle sobre essas coisas. Acontece muito de um filme ir mal de público e crítica e de repente ressurgir, como um novo clássico".

Julianne cita "A Salvo" (1995) e "O Grande Lebowski" (1998), que fracassaram quando lançados, mas que hoje são cult. "Na época, eu fui a única a pensar: 'Poxa: eu gostei do filme'. Mas aí, dez anos depois, todos disseram: 'É genial!'", diverte-se. "Sou humana e gosto que outras pessoas admirem meu trabalho, então dispenso tempo e esforço para que isso aconteça."

O esforço em 2017 foi talvez maior: tanto em "Sem Fôlego" quanto em "Suburbicon", Julianne interpreta mais de um papel. No filme de Todd Haynes, uma adaptação do romance homônimo do americano Brian Selznick (de "Hugo"), a atriz se divide entre os papeis de uma diva do cinema mudo e de uma idosa, que vivem em décadas distintas. "É engraçado que na minha vida profissional sempre acontecem coisas ao mesmo tempo. 2017 foi o ano de fazer mais de uma personagem em filmes, e adorei a experiência. Só espero não soar gananciosa demais ao comentar isso", diz. "Mas é o que fazemos: tentamos descobrir e mostrar essas pessoas, dar vida a elas. É o que torna minha profissão tão fascinante."

Julianne vive gêmeas em "Suburbicon", adaptação de um roteiro dos anos 1980 dos irmãos Joel e Ethan Coen (de "Fargo"). É a história de um subúrbio americano da década de 1950, onde todos parecem levar uma vida perfeita, mas que, no fundo, são hipócritas e cruéis. Quando uma família negra vai morar no local, é vítima de hostilidade pesada.

"O filme mostra o que pode acontecer quando as pessoas vivem em uma sociedade excludente e perseguem só os próprios desejos. Ainda que tenhamos filmado muito antes, o longa acabou mostrando o futuro", diz, referindo-se a manifestações recentes de supremacistas brancos, como a de Charlottesville, em agosto.

"Suburbicon", embora se passe nos anos 1950, fala muito da era Trump. "Não há nada de engraçado nele. Sempre o achei perigoso, mesmo nas primárias. É o tipo de pessoa que deveria ser erradicada do nosso governo. Para ser presidente é necessário ter habilidade, o que ele não tem. É preciso ter experiência e uma cabeça que pense com clareza e calma, só que Trump é irracional e perigoso", diz ela, séria.

Julianne é uma democrata e não esconde isso, o que se nota pelos filmes que escolhe. Mesmo quando deu vida à conservadora Sarah Palin o fez em um longa crítico à republicana (o telefilme "Virada no Jogo"). Em breve, interpretará a jornalista feminista Gloria Steinem no cinema. Mas, embora não esconda sua orientação política, evita ser uma "celebridade engajada". "A única coisa que você pode fazer, enquanto cidadã, é votar. É o mais importante. Muitas pessoas nos EUA ficaram chocadas com o resultado das eleições, portanto espero que mais gente vote no futuro."

A atriz gosta do estrelato, mas não abre mão de algumas coisas em sua vida privada. "Moro em uma rua em Nova York em que conheço todo mundo. E todos se cumprimentam." Mas a profissão fica em segundo plano quando pensa em sua família. "É o que mais me orgulha. Meu marido [o cineasta Bart Freundlich, 47] e eu estamos juntos há 21 anos, meus filhos [Caleb, 19, e Liv, 15] são saudáveis, bons alunos. Nós quatro passamos muito tempo junto. Enquanto mãe, tudo o que você pode fazer é isso: tornar seus filhos e sua família uma prioridade."

VEJA MAIS

Trailer do filme "SUBURBICON: BEM-VINDOS AO PARAÍSO" (2017).

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