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Marketing olfativo cresce, mas faltam profissionais treinados

Logo que chega ao saguão do Tivoli Mofarrej, hotel cinco estrelas localizado na região dos Jardins, em São Paulo, o hóspede percebe que há algo diferente no ar: uma leve, mas marcante fragrância de verbena. O mesmo perfume dos kits de produtos de higiene pessoal.

"Chegamos a essa fragrância após testar mais de 15 aromas. Ela cria uma memória afetiva e olfativa e serve como mais uma ferramenta de identidade", diz Miguel Garcia, diretor-geral do Tivoli.

De olho nesse impacto que o cheiro pode causar nos clientes, lojas, marcas, empresas e até consultórios apostam suas fichas no marketing olfativo. "Em alguns casos, essa alternativa pode elevar muito as vendas já que cerca de 33% do que sentimos é levado para o cérebro", afirma Mohamed Gorayeb, especialista em técnicas de vendas, citando pesquisa da Universidade Rockfeller, em Nova York.

Bruno Santos/ Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 14-06-2017: A francesa Fany Moreau, perfumista da Mon Absolu, é retratada na sede da empresa, na ZOna Sul de São Paulo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress) *** FSP-SUP-ESPECIAIS *** EXCLUSIVO FOLHA***
A perfumista francesa Fany Moreau, da companhia Mon Absolu, que cria identidade para marcas

Recentemente, a Nutty Bavarian, que comercializa frutos secos caramelizados em quiosques de shoppings, constatou em um levantamento que 90% de seus clientes lembram do cheiro do produto sendo preparado quando pensam na marca e que 67% deles compraram por conta desse aroma.

"É preciso ter em mente o que a marca e o produto querem transmitir. Os clientes buscam ter uma experiência. É aí que uma estratégia de marketing olfativo é bem-vinda", diz Pedro Salomão, sócio-fundador da Rádio Ibiza, agência que desenha projetos de marketing sensorial.

Segundo Julio Yoon, diretor comercial da Biomist, empresa especializada em marketing olfativo e desenvolvimento de fragrâncias, também é preciso que a empresa conheça bem seu público-alvo. A partir disso, desenvolvemos três amostras até chegar à que será escolhida.

Entre os mais de 2.000 projetos criados pela Biomist, que cobra a partir de R$ 10 mil, estão os das lojas Nike e Vila Romana. "Os aromas que criamos transmitiam uma sensação de empoderamento. É o mesmo que os frequentadores sentem quando entram em determinado shopping mais requintado", afirma Teófilo Obara, diretor de tecnologia da empresa.

No caso da Vila Romana, o cheiro agradou aos clientes e hoje o perfume da marca é vendido nas lojas. A empresa também já desenvolveu fragrâncias para hospitais, clínicas odontológicas e spas.

A empresa Mon Absolu, da francesa Fanny Moreau, especializou-se em atender agências de publicidade e de branding e organizações que buscam identidade olfativa.

"Comecei produzindo perfumes personalizados para o consumidor final. Mas, aos poucos, companhias começaram a me procurar. Hoje, meu foco é o marketing olfativo", diz a perfumista. Ela leva até três meses para criar uma identidade olfativa e já assinou trabalhos para os hotéis Pulmann, a rede de escolas de inglês CNA e a montadora de automóveis Citröen.

Cada projeto da Mon Absolu custa a partir de R$ 3.000.

Moraeu já atendeu pedidos inusitados, como a criação de uma fragrância que lembrasse o cheiro de São Paulo. "Eu me inspirei no café, importante na história da cidade, na garoa e, um pouco, na poluição", afirma.
Já a equipe da Biomist perfumou o ambiente de um cemitério vertical. "Nossa referência foram aromas que transmitem paz e tranquilidade ao local", diz Obara.

Bruno Santos/ Folhapress
DIADEMA, SP, BRASIL, 14-06-2017: Teófilo MOtta Obara, responsável por tecnologia da Biomist, é retratado na sede da empresa, em Diadema. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress) *** FSP-SUP-ESPECIAIS *** EXCLUSIVO FOLHA***
Teófilo Obara, diretor de tecnologia da empresa de marketing olfativo Biomist, na sede, em Diadema

FALTAM PROFISSIONAIS

Como é recente no Brasil, o marketing olfativo carece de empresas especializadas e profissionais. Não há um curso superior específico. Segundo a Associação Brasileira de Cosmetologia, existem no país cerca de 60 perfumistas –na França, cerca de 800 pessoas trabalham como perfumistas, avaliadores olfativos e designers de cheiros. Em São Paulo, as faculdades Santa Marcelina e Oswaldo Cruz oferecem pós-graduação em perfumaria.

"Por ser uma área específica e com poucos profissionais atuantes, esse cargo assemelha-se ao de outras áreas técnicas com dificuldade para preencher suas vagas. O prazo para a empresa preencher um posto pode levar até um ano", diz Carolina Silva, coordenadora de RH da agência de empregos Luandre.

Entre os currículos enviados para a agência por pessoas que atuam na área, a pretensão salarial varia de R$ 5 mil a 10 mil. Um perfumista ganha mais de R$ 10 mil, e um avaliador olfativo recebe entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

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Cada cheiro no seu lugar

Confira quais sensações cada aroma transmite e para quais ambientes são mais indicados

RELAXAMENTO
Fragrâncias como a lavanda são indicadas para clínicas odontológicas de saúde e estéticas, pois trazem sensação de tranquilidade

FRESCOR
Ambientes grandes e arejados, como shoppings e saguões de hotéis pedem notas que transmitam a sensação de limpeza, como verbena e capim-limão

ROMANTISMO
Os aromas florais trazem uma atmosfera mais romântica e inocente. São indicados para casas de chás, lojas de moda feminina mais clássicas e de roupas para meninas

ENERGIA
Os cítricos são indicados para academias de ginásticas e outras áreas para prática de esporte. Essas fragrâncias transmitem uma sensação revigorante e energizante

ESTABILIDADE
Lojas de roupas masculinas, barbearias e ambientes mais sóbrios, como escritórios de advocacia, pedem notas amadeiradas, que transmitem sensação de confiança

AQUECIMENTO
A baunilha, a canela e o almíscar são notas quentes que rementem ao calor da pele. Portanto, são as mais indicadas para ambientes que vendam lingerie e roupas femininas

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