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Profissional deve se manter em movimento para ficar firme neste cenário de trabalho instável

Fazer carreira numa empresa é um conceito fora de moda. Em pesquisa deste ano da recrutadora Hays, 72% dos respondentes afirmaram que consideram ou querem mudar de emprego em 2017.

A disposição para trocar de trabalho com frequência é resultado de uma combinação de fatores, dizem consultores de RH. Um deles é uma mudança de prioridades de quem entra hoje no mercado.

Segundo Josué Bressane Jr., sócio-diretor da consultoria Falconi Gente, enquanto gerações passadas foram criadas para buscar estabilidade, esta quer novidades e aprendizado. "Em 30 anos, esta geração terá passado por mais de dez empresas", diz.

Além disso, estar pronto para mudar é necessidade, não só opção, já que ninguém está seguro num emprego. "É ilusão achar que tem estabilidade. Ninguém garante", diz Mônica Ramos, diretora de operações da consultoria Lee Hecht Harrison Brasil.

Num mercado que ela chama de vulnerável, incerto, complexo e ambíguo, deve-se abraçar a mudança e evitar acomodação. "Precisamos de gente que saiba trabalhar bem nesse cenário, que não vai mudar, só se intensificar", diz Regina Camargo, sócia da consultoria Across.

Patricia Stavis/Folhapress
Regina Camargo, sócia da consultoria de RH Across
Regina Camargo, sócia da consultoria de RH Across

GERAÇÃO DA DEMISSÃO

Para a antropóloga americana Ilana Gershon, professora da Universidade Indiana e autora do livro "Down and Out in the New Economy: How People Find (or Don't Find) Work Today" (na pior na nova economia: como pessoas acham ou não trabalho hoje), há uma explicação econômica para por que trabalhadores hoje estão sempre prestes a pedir demissão.

Até meados dos anos 80, diz Gershon, as pessoas viam sua força de trabalho como um bem, uma propriedade. "Você se alugava para um patrão por um tempo", afirma.

Com o advento de governos neoliberais e a crença de que o mercado é o melhor determinante de valor, mudou o comportamento dos trabalhadores. Para saber quanto você vale, é preciso consultar o mercado procurando um novo emprego. E quando se encontra alguém que pague mais, pede-se demissão.

O empregado passou a ser visto como um negócio próprio, uma marca, que se relaciona com outros negócios. E relações com empresas tendem a ser mais curtas do que com propriedades, diz ela. "Isso abriu as portas para que as pessoas ficassem mais dispostas a deixar um emprego."

As duas partes sabem que a relação de trabalho há de acabar. Pensar em mudar o tempo todo, então, é ser pragmático. "As pessoas dizem: 'A vida é assim, esse é o novo jogo que tenho que jogar e tenho que fazê-lo da forma que me traga mais benefícios. Então tenho que me demitir'."

Deixar um emprego, no entanto, deve ser uma decisão cuidadosa. "Qualquer mudança tem um risco associado, mas num momento de crise como este, isso é potencializado", afirma Luiz Valente, diretor da empresa de recrutamento Talenses.

É preciso ouvir as oportunidades e avaliar se a mudança faz sentido. "Trocar de emprego tem risco? Tem. Mas também tem risco ficar onde se está", diz Camargo.

A única regra é não ficar prostrado: estabilidade não deve ser confundida com inércia. Para Josué, dez anos numa empresa é uma coisa -outra é uma década na mesma função. "Isso denota comodismo e, em tese, ninguém quer pessoas acomodadas."

Se não mudar de empresa, que mude dentro dela. "Você tem que ver qual foi a evolução da pessoa. Se ela trocou de cargos, de área de atuação, de cidades", diz Ramos.

Manter-se atento ao mercado e atualizado são as recomendações para se sentir menos vulnerável. "Estabilidade não existe para ninguém, mas não quer dizer que você não possa se sentir seguro", diz Caroline Cadorin, diretora da Hays Experts.

"A gente precisa ter clareza em relação ao que quer e correr atrás. Se você está comprometido com você e com seu desenvolvimento, por mais que possa passar por um momento de instabilidade e perder o emprego, sabe que está competitivo para procurar e encontrar uma nova colocação", completa Camargo.

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