Publicidade
Publicidade
Publicidade

'Varanda gourmet' perde função original para virar extensão da sala

Menos churrasco, mais espaço. Antes objeto de desejo de compradores, a chamada "varanda gourmet", em geral equipada com churrasqueira e pia, vem perdendo a função original para se tornar extensão da sala.

"O espaço surgiu como uma novidade e foi usado durante um tempo, mas o aumento da sala passou a ser uma prioridades para os proprietários", afirma Pedro Fernandes, presidente da Abmi (Associação Brasileira do Mercado Imobiliário).

Esse modelo de sacada começou a fazer sucesso há cerca de dez anos, como explica Enio Moro, professor de arquitetura do Centro Universitário Belas Artes.

"Enquanto as varandas convencionais têm a função de servir como uma transição entre o meio externo e o interno, as do tipo gourmet vêm com equipamentos que permitem uma maior interação entre os moradores", afirma.

Com a redução no tamanho dos imóveis novos, alguns proprietários preferiram abrir mão do espaço e incorporá-lo à sala para fugir do aperto.

Foi o que fez a advogada Renata Machado, 41. Quando comprou o seu apartamento de 104 metros quadrados na zona sul de São Paulo, onde vive com marido e filho, decidiu otimizar o espaço.

"Queria colocar uma boa mesa de jantar na sala, mas ficaria muito apertado. A solução foi colocá-la na varanda", conta ela, que também instalou as clássicas cortinas de vidro na sacada.

Mas diz que a experiência não foi tão boa quanto o esperado: "O conceito de espaços abertos é bacana, mas se alguém quer assistir à TV enquanto outros querem conversar, fica confuso."

A barulheira não é o único problema que pode surgir com a incorporação. Roberta Kronka, professora de arquitetura da USP, explica que a varanda, como uma estrutura à parte, tem um papel importante de "evitar que o sol incida diretamente nos cômodos dentro de casa".

FACHADAS
Integrar a varanda à sala impõe alguns desafios aos arquitetos e engenheiros. O primeiro é alinhar o piso dos espaços, diz Rafael Castelo, professor de engenharia civil da PUC-SP. "É preciso avaliar se o preenchimento da laje não irá sobrecarregar as estruturas do edifício", observa.

A retirada das portas entre a sala e a varanda não costuma afetar a estrutura do imóvel, mas, assim como a alteração de pisos e paredes, esbarra em outra questão: a necessidade de preservação da fachada do prédio. Qualquer intervenção que a altere deve ser aprovada em assembleia condominial, explica Renato Tichauer, presidente da Associação dos Síndicos de São Paulo.

Em relação às cortinas de vidro, cada vez mais populares, o aval ou não para a sua instalação pode estar prevista no manual do proprietário oferecido pelos edifícios mais novos, observa Rosely Schwartz, professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito.

"Se não houver nada previsto sobre isso, é preciso entrar em contato com um engenheiro para que avalie se a intervenção irá impactar na estrutura da construção."

Ao contrário da regra atual, o novo Código de Obras e Edificações de São Paulo, promulgado na terça (9), permite a instalação de cortinas de vidro nas sacadas, desde que retráteis ou vazadas. A regra entra em vigor em 60 dias. Diante disso, o futuro da varanda gourmet parece mesmo comprometido.

"Os imóveis serão cada vez mais personalizados, de acordo com o gosto de cada um", afirma Fernandes, da Abmi.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
DFP -->