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Casa Cor 2017

Mostra quer ser influência de sustentabilidade para o mercado

Até 2020, a Casa Cor quer ser farol de sustentabilidade no mercado da decoração e do design de interiores para além de suas exposições temporárias. Para chegar lá, está fazendo a lição de casa: centralizou a gestão de resíduos nos eventos para controlar fluxos e conseguir escala, elaborou um plano de metas e busca a adesão de expositores e suas equipes em treinamentos e estratégia de comunicação.

O processo começou em 2015 com coleta de dados do evento para a elaboração de um projeto de longo prazo. A Casa Cor dura dois meses, mas são outros três meses de montagem e um de desmontagem, totalizando um semestre de operação.

Em 2016 foram instalados hidrômetros em locais chaves para o monitoramento dos consumos de água e energia.

Ao mesmo tempo, duas ações de comunicação foram iniciadas: 1) um boletim de circulação interna com relatos de boas práticas e destaques para os profissionais que conseguiram soluções criativas e 2) a distribuição de um questionário da sustentabilidade, para que todos os expositores pudessem verificar e dar ciência de suas ações.

"O assunto sustentabilidade só reverbera se as pessoas se conscientizarem. Em 2016, 30% dos expositores responderam. Neste ano, foram 80%", conta Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech, empresa responsável pela gestão de resíduos da mostra.

"Fizemos um check-list orientativo, quase uma consultoria", diz. No tópico "Obra sem Dor de Cabeça", por exemplo, o texto alerta para a economia com espaços facilmente desmontáveis. Em outro ponto, sobre "Conforto Acústico", o manual avisa que calibrar bem o som é essencial para que o público permaneça mais tempo e que não haja desconforto no espaço vizinho.

"Encaramos o desafio de tirar a sustentabilidade do mundo dos conceitos e colocar na prática", afirma Livia Pedreira, diretora da Casa Cor. "A boa surpresa é que muitos projetos passaram a enfrentar a questão do efêmero de maneira sustentável."

Entre as iniciativas deste ano, a diretora cita a instalação do arquiteto paisagista Alex Hanazaki para a Deca. Ela já parte de um material que não seria utilizado -400 vasos sanitários de descarte da marca- e depois da mostra as peças serão trituradas e usadas na construção de um piso de uma praça em Jundiaí. Outros exemplos de reaproveitamento são o piso da Concresteel, feito de resíduos da Casa Cor 2016 para os espaços institucionais, e as cerâmicas da Lepri para o espaço da Tartuferia, que usa vidros reciclados de lâmpada fluorescente.

Na montagem da exposição recém-aberta em São Paulo, foram geradas 511 toneladas de resíduos entre gesso, madeira, vidro, plástico, metal, papel e entulho e 98% desse material foi destinado ao reúso ou à reciclagem.

Os resíduos foram enviados a uma central de britagem para se tornarem elementos não estruturantes de obras, como revestimentos e brita para jardim. "A centralização permite ter volumes maiores, rastreamento responsável e mais negociação com as recicladoras", conta Ferreira.

Segundo ele, o maior empenho é na conscientização dos profissionais. "A Casa Cor é uma construção conjunta, diferente de obras do mercado imobiliário, com 70 convidados, cada um com sua equipe de empreiteiros, o que resulta em 70 canteiros de obras", contabiliza. "A construção civil tem índice alto de desperdício de materiais no Brasil, de 30%", afirma. Mudar essa cultura é essencial.

"Quando a gente consegue demonstrar que sustentabilidade vale a pena, sobretudo do ponto de vista econômico, consegue engajamento", diz.

Neste ano, o tratamento do resíduo orgânico gerado nos refeitórios para compostagem, a eliminação de copos plásticos e o início do inventário de emissões de CO2 estão entre as metas.

Para os próximos dois anos, as energias serão ainda mais voltadas à conscientização dos profissionais. "Queremos influenciar a sociedade", afirma Ferreira.

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