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Arsenal antifrio para casa pode incluir desde lareira até piso térmico

Bruno Santos/Folhapress
Tatiana Kochi, 36, em sua casa, na zona oeste de SP
Tatiana Kochi, 36, em sua casa, na zona oeste de SP

Na batalha para deixar a casa mais quente durante o inverno, lareiras, pisos térmicos e aquecedores podem ser bons aliados. Mas é preciso ter cuidado para escolher o melhor sistema para cada ambiente e evitar contas de energia exorbitantes.

Algumas dessas soluções envolvem reformas pesadas. É o caso dos pisos térmicos, que podem ser de dois tipos: elétricos e hidráulicos.

No primeiro caso, um fio de resistência passará por baixo do revestimento, transmitindo calor. A tecnologia é recomendada para ambientes não muito amplos, como banheiros e quartos, por causa do seu custo energético, segundo Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor da associação que representa fabricantes do setor.

O especialista estima que o sistema consuma em torno de 1 kWh para uma área de seis metros quadrados. Ou seja, deixá-lo ligado em um ambiente desse tamanho por uma hora equivaleria a um gasto extra de cerca de R$ 0,40, considerando a tarifa cobrada pela Eletropaulo. Em um mês, o acréscimo na conta seria de cerca de R$ 12.

Já o outro modelo de piso é composto por uma tubulação, também colocada sob o chão, por onde passa água quente. Pode ser aquecida de diferentes formas, como por meio de gás e energia solar. Nesse caso, o consumo varia muito, mas a solução tende a ser mais barata do que o piso elétrico, afirma Bueno.

Quem quiser esquentar a sala e ainda deixar o espaço mais aconchegante, as lareira são boas opções. Instalar o modelo tradicional, com lenha, vai dar trabalho, já que será preciso criar um canal de saída para a fumaça.

A má notícia é que ela não pode ser construída em qualquer imóvel, de acordo com Fernando Laterza, coordenador do núcleo de design do Centro Universitário Belas Artes. "É preciso que a sua instalação esteja prevista na planta da casa", diz.

A alternativa é investir em outros modelos do equipamento. Foi o que fez a psicóloga Eliane Bachur, 60, que instalou uma lareira a gás em seu apartamento dúplex, em Moema, na zona sul de São Paulo, há cerca de dois anos. Ela fica em cima de uma base de alvenaria e tem uma coifa e lenha decorativas.

Bruno Santos/Folhapress
A psicóloga Eliana Bachur, 60, em seu apartamento, na zona sul de São Paulo
A psicóloga Eliana Bachur, 60, em seu apartamento, na zona sul de São Paulo

"A lareira esquenta bem o ambiente, não dá cheiro e é simples de ligar: basta abrir o gás", diz Bachur, que não sentiu grande impacto na conta do fim do mês. O equipamento custou R$ 5.500, e o projeto do espaço foi feito pela arquiteta Camila Bucciani, da RCB Arquitetura.

Existem ainda alguns tipos de lareira portátil. A publicitária Tatiana Kochi, 36, escolheu um modelo ecológico, em que o fogo é aceso por meio de um fluido à base de etanol de cereais, para sua casa, no Itaim Bibi (zona oeste da capital).

O item, que, em vez de lenha, tem pedras vulcânicas decorativas, custou R$ 2.500 e foi instalado em 2016 durante uma reforma feita pela arquiteta Marina Breves.
Kochi também tem em sua sala, de 89 metros quadrados, quatro aparelhos de ar-condicionado com dupla função: resfriamento e aquecimento.

É uma opção mais simples de ser instalada em casa, apesar de o consumo de energia ser elevado. Segundo Paulo Cunha, consultor da FGV Energia, o ciclo de aquecimento pode gastar 10% a mais que o de resfriamento, dependendo da temperatura.

Para Laterza, o ar-condicionado é uma alternativa com bom custo-benefício, já que esquenta rápido o ambiente, enquanto opções como o piso térmico podem demorar algumas horas.

SOBRECARGA

A instalação de sistemas de aquecimento exige cuidados. Antes de comprá-los, é importante saber se o imóvel vai suportar a nova carga elétrica, diz Denise Polonio, professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Caso contrário, os equipamentos podem necessitar de uma fonte de energia própria, inclusive disjuntor, explica Clauber Leite, consultor de energia do Instituto de Defesa do Consumidor.

Escolher bem o lugar em que os equipamentos serão acomodados é outra questão. "Não só para garantir a eficiência deles, mas para não comprometer o que estiver em volta", afirma Polonio. "Uma porta ou um revestimento de madeira pode acabar empenando caso haja uma corrente de ar quente."

Silvio Shizuo, professor de engenharia do Centro Universitário FEI, recomenda que lareiras fiquem distantes de paredes por onde passam instalações elétricas e hidráulicas para evitar acidentes.

Checar se janelas e portas estão bem vedadas, para que os aparelhos tenham uma eficiência melhor, também é importante, observa Roberta Kronka, professora de arquitetura da USP. Se não, a solução é trocar os caixilhos e esquadrilhas ruins ou tentar bloquear a corrente de ar.

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