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Carros de luxo personalizados custam mais de R$ 1 milhão a clientes

O sedã S500 Maybach é o que há de mais opulento na linha Mercedes. Vendido a R$ 1,2 milhão, tem porta-copos que podem resfriar ou aquecer bebidas e teto de vidro com controle de luminosidade. Seria o máximo em luxo, mas clientes desse tipo de carro querem ser únicos.

"Esse comprador deseja exclusividade, quer configurar as cores interna e externa, e até as costuras dos bancos", afirma Dirlei Dias, gerente sênior de vendas da Mercedes do Brasil. As configurações disponíveis podem aumentar o preço do carro em R$ 600 mil e incluem tons de pintura que custam até R$ 180 mil.

Marcas que atuam em faixas de preços que começam em sete dígitos são cautelosas ao falar de clientes. Não citam nomes ou cidades, mas revelam traços em comum dentro desse público.

"O cliente quer o carro cheio de botões, e todos têm que ter uma função, mesmo que não seja usada no Brasil, e ninguém pode ter um carro melhor ou mais completo que o dele", conta o gerente da Mercedes. "Há muita vaidade e ego envolvidos".

É um outro universo de compra. Estudo divulgado neste mês pela consultoria JD Power mostra que 63% dos clientes de carros convencionais visitam pelo menos duas concessionárias antes de fechar a compra. No caso dos supercarros, a lógica é invertida, a loja pode ir até o consumidor.

Rodrigo Martins Alves, executivo de vendas do grupo Via Italia, já enviou diversos automóveis em carreta fechada a clientes das marcas Lamborghini, Rolls-Royce, Maserati e Ferrari. O atendimento personalizado é justificado pelas cifras envolvidas: há modelos que beiram os R$ 5 milhões, caso do Rolls-Royce Phantom comercializado em março.

A experiência adquirida em anos de atuação no mercado nacional faz a empresa arriscar mais e importar modelos que ficam disponíveis à pronta-entrega. Alves diz que muitos compradores desejam chegar na loja, fechar negócio e já sair com o carro.

Na Mercedes-Benz, as vendas dos automóveis mais caros são feitas por encomenda. O superesportivo AMG GTR (R$ 1,2 milhão) já tem ao menos dez unidades reservadas, revela Dirlei Dias. Os carros levam cerca de 90 dias para serem entregues aos clientes, mas o prazo pode chegar a seis meses de acordo com as modificações pedidas.

A crise econômica atrapalhou as vendas, mas já há sinais de recuperação. "Não por falta de dinheiro, mas porque o cliente não acha adequado adquirir um carro tão caro nesse momento", explica Dias.

"O nosso produto é o brinquedo dos compradores, e quando a economia passa por épocas ruins, é um dos primeiros cortes", comenta Julico Simões, fundador da importadora Strasse.

A empresa representa preparadoras como a Brabus e a Gemballa, especializadas em afinar modelos alemães de alto desempenho. É um passo adiante do que é oferecido pelas montadoras, e os preços desses carros "sob medida" podem chegar a R$ 4 milhões.

Operações policiais também influenciam nos negócios, mas de outra forma. Para não serem associadas a esquemas de lavagem de dinheiro, empresas que vendem carros tão caros têm tomado cuidados com formas de pagamento e documentação.

"Não posso dizer que não presto atenção nos carros Mercedes apreendidos em ações da Polícia Federal, mas são de pessoas sem relações com a marca. Seguimos regras antitruste e não recebemos dinheiro vivo nem de conta não identificada", diz o gerente da Mercedes.

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