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09/02/2012 - 15h22

Dupla jornada afasta mulheres de empreendimentos no meio digital

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HELTON SIMÕES GOMES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Trabalhar fora de casa, cumprir uma segunda jornada de tarefas domésticas e ainda arranjar tempo para investir no próprio negócio é o quadro que afasta as mulheres de se lançar em empreendimentos no mundo digital. A conclusão ocorreu durante palestra na Campus Party sobre empreendedorismo feminino. A Folha é patrocinadora do evento.

"Como não tem investimento de 'seed money', esses investidores têm que trabalhar de dia para investir na start-up à noite", explicou Andiara Patterle, diretora de estratégia digital e novos negócios da RBS. Durante cinco anos, ela foi a executiva-chefe da companhia de mídia multiplataforma Grupo Bolsa de Mulher.

Alexandre Aragão/Folhapress
Debate na Campus Party sobre empreendedorismo feminino
Debate na Campus Party sobre empreendedorismo feminino

Uma pesquisa realizada no ano passado pela RBS sobre o perfil do empreendedor virtual constatou que o mundo digital é reduto masculino: homens são três quartos do total. "A presença feminina é quase inexistente", afirma Andiara. Os empresários têm entre 25 e 35 anos, e apenas 5% deles não são graduados em cursos superiores --14% possuem MBA e 6% são doutores.

Um fato curioso é que a área de tecnologia só forma 11% dos empreendedores digitais. A maioria (40%) sai das cadeiras de faculdades de administração e gestão empresarial.

Fora do mundo digital, as mulheres ganham seu espaço. A edição 2012 da GEM (Global Entrepreunership Monitor) mostrou que o Brasil é um dos oito países em que a porcentagem feminina (15%) de empreendedores em estágio inicial é igual à de homens. Foram pesquisados 54 países.

"Não há distinção do mundo real para o virtual. É uma distinção do modelo de negócio", diz Jaqueline Aparecida de Almeida, gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae. Ela explica que as start-up digitais só se tornam sustentáveis se forem escaláveis, conseguirem replicar sua ideia e forem inovadoras. "Diferente de abrir um restaurante, que pode se sustentar com uma única unidade."

Segundo dados do Sebrae, em 2011, as mulheres eram donas de 49% das empresas abertas havia menos de 42 meses.

 

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