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08/12/2010 - 14h50

Sob intensas críticas, Twitter rechaça acusação de censura sobre caso WikiLeaks

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MARINA LANG
DE SÃO PAULO

O serviço de microblogs Twitter, que ostenta uma atuação protagonista no caso das eleições iranianas de 2009, está sob acusação de censurar o caso WikiLeaks nos tópicos que fazem a medição dos temas mais quentes no mundo (os chamados Trending Topics).

A acusação proveio de blogueiros, internautas e até mesmo de usuários do serviço de microblogs desde o final de semana. Em comunicado, o Twitter nega a censura (veja mais abaixo).

Ouça o colunista Alec Duarte sobre o tema

A Folha monitorou, em duas ocasiões durante dois dias distintos, a menção dos temas pelos internautas em tempo real, por meio do próprio serviço de buscas do microblog.

Durante ontem e hoje, o termo "WikiLeaks" sequer figurou na última posição dos Trending Topics mundiais --embora o volume de comentários tenha sido muito grande. O termo (ou outros relacionados) também não aparecia em países como Estados Unidos ou Reino Unido (onde ocorreu a prisão do criador do site, Julian Assange, ontem).

Dentre os cinco assuntos mais "quentes" nos Trending Topics na noite de ontem, apenas a hashtag (símbolo que indica um assunto no Twitter) "#lemmeguess" ultrapassava o tema WikiLeaks: foram, respectivamente, 9.799 e 5.941 menções em um período de meia hora. As demais marcaram menos de 2.100 tuítes --na 3ª posição nos Trending Topics, "Pearl Habor" marcava apenas três menções no mesmo intervalo de tempo.

No final da manhã de hoje, embora o volume de tuítes sobre o WikiLeaks houvesse diminuído, a diferença era considerável, conforme demonstra a reprodução abaixo.

O tema mais bem posicionado nos Trending Topics (veja a marcação vermelha, abaixo), "#leweb", detinha 1.209 tuítes no intervalo de meia hora, enquanto o caso WikiLeaks era o mais mencionado de todos, quando comparados com os cinco temas mais comentados: aparecia com 4.907 menções (veja a marcação azul na reprodução abaixo).

Reprodução

O serviço de medição Trendistic, que aponta as tendências dos assuntos mais comentados do Twitter, também indicava um baixo volume de comentários sobre os Trending Topics nas últimas horas (era quase 0%), enquanto o volume relativo ao WikiLeaks era considerável.

Reprodução

SARAIVADAS

Não demorou muito para que blogueiros e internautas do mundo todo começassem a notar a discrepância (veja aqui, em inglês).

Brasileiros como o publicitário Fernando Motolese (autor do vídeo "Cala Boca, Galvão") e o programador Vinicius K-Max disseram à Folha também acreditar em manipulação dos assuntos do Trending Topics.

Motolese travou um embate hoje com Matt Graves, diretor responsável pelo departamento de comunicação do Twitter, sobre o tema no próprio serviço de microblogs (veja aqui e aqui).

O publicitário chegou a afirmar a Graves que possui uma fonte que trabalha no Twitter, e que ela lhe disse que a aprovação dos Trending Topics é manual.

Tanto Graves quanto o serviço de microblogs rechaçaram as acusações.

"O Twitter não está censurando [as hashtags] #wikileaks, #cablegate ou outros termos relacionados da lista de Trending Topics. Nossa lista de tendências é desenhada para ajudar pessoas a descobrir as últimas notícias de todo o mundo, em tempo real", disse o site, em comunicado.

"A lista é gerada por algoritmos que identificam tópicos que estão sendo falados imediatamento do que eles eram previamente", continuou.

O Twitter mudou seu algoritmo da lista de trending topics em maio para o que era popular de imediato. Isso significa que tópicos mencionados em maioria não figurariam, necessariamente, nos Trending Topics.

A medida foi feita para reduzir a aparição de temas como o cantor Justin Bieber, que, devido aos comentários de fãs no serviço, aparecia muito nos Trending Topics.

O método algorítmico também foi questionado por Motolese, contudo. "Por que isso não aconteceu com o 'Cala Boca, Galvão?'", observou ele, sobre o termo mais comentado por semanas durante a Copa do Mundo, em junho.

 

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