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Depoimento: Em um mundo de likes e RTs, a gente quer respaldo sempre
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DANIELA ARRAIS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Eu estava doente e não sabia, até encontrar na internet, a causa do meu mal, o diagnóstico. Sofro de Fomo, ou "Fear of Missing Out" (na tradução livre, medo de perder).
Sabe quando você está em casa e começa a olhar o Instagram e, imediatamente, sente que deveria estar na rua, vendo uma exposição, levando sua afilhada para tomar sorvete, achando beleza nas esquinas pichadas de São Paulo?
Pois então, isso é Fomo. Você não quer perder a chance de contar para o mundo como sua vida é legal, como seu dia a dia vai além do trivial. Afinal, ficar em casa assistindo a um filme atrás do outro não rende fotos bonitas, por mais que existam 213 filtros à sua disposição.
Mas aí você se pergunta: se eu estou feliz em ficar em casa, qual é o problema de acompanhar a vida dos amigos e dos conhecidos? Nenhum. Mas a gente vive tanto na internet que é a coisa mais normal do mundo transpor alguns elementos da rede para a vida real.
A gente vive num mundo de likes e RTs. Parece que não basta mostrar um vídeo, compartilhar uma música. A gente quer o respaldo dos outros para um gosto que é nosso, mas que parece valer mais quando endossado por uma pequena multidão.
| Reprodução/Daniela Arrais/Folhapress | ||
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| Tela do Instagram, aplicativo de fotografia para iPhone |
Conversando com uma amiga, ela me falou: se posta "I love ducks" (eu amo patos) no Facebook, não recebe likes. Se posta "I love cats" (eu amo gatos), recebe vários, seguido de onomatopeias, de corações, de links para vídeos de gatos fazendo fofuras. Nada mau em gostar de gatos, mas o fato de ela não receber tantos likes quando fala de outro animal acaba mudando a "linha editorial" da sua vida digital.
"Você quer estar na matilha, no bando, no cardume... E passa a colocar fotos de gatos sem querer", diz ela.
Até onde isso vai? Será que é o caso de prescrever horas certas para usar internet? É preciso fechar o Facebook, guardar a foto na memória em vez de no iPhone? Não sei.
Quando vejo essas pesquisas que falam que o internauta passa, em média, seis horas por mês no Facebook, dou risada e penso: estamos todos doentes! Afinal, seis horas é quase o tempo que eu e grande parte dos meus amigos passamos no Facebook a cada dia -e, sim, temos trabalho, vida social...
Mas ficamos conectados o tempo todo, porque queremos ver tudo, saber de tudo. É doença, sem dúvida. A cura? Não sei. Será que é aprender a lidar com tanto excesso ou me internar numa clínica para viciados em internet? Você decide!
DANIELA ARRAIS é jornalista e autora do blog don't touch my moleskine
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