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12/08/2011 - 18h50

Por que o Samsung Galaxy Tab 10.1 é 'nhé'

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CORY DOCTOROW
DO "GUARDIAN"

Desde que o iPad foi lançado, tenho aguardado impacientemente o surgimento de um aparelho com Android à altura --um aparelho com capacidade interna, tamanho e formato semelhantes, mas usando um ecossistema mais aberto do que o oferecido pela Apple.

Assim como a Apple, o Google controla uma loja de aplicativos para o seu sistema, o Android --se o seu aplicativo não agradar ao Google, ele não será disponibilizado. Mas, diferente da Apple, o Google permite que você instale aplicativos de fontes não oficiais, o que significa que você pode baixar apps diretamente de seus autores ou comprá-los de outras lojas que competem com (ou complementam) a loja do Google.

Esse é o tipo de detalhe que é importante para mim. Afinal, um tablet sem software é apenas um inconveniente e frágil espelhinho. Então o que eu quero ter certeza na hora de comprar um aparelho é que eu não tenha que implicitamente confiar no julgamento de uma empresa sobre que software eu devo ou não usar.

O surgimento do iPad desencadeou uma série de lançamentos de tablets com Android, e nenhum deles tinha especificações suficientemente impressionantes ou um formato que me apetecesse, até a Samsung anunciar o Galaxy Tab 10.1. Apesar de ter um dos nomes mais estúpidos e estranhos dos últimos tempos, o Galaxy Tab 10.1 tem números parelhos ou até melhores do que o iPad 2 em todos os quesitos e já vem com a versão 3.1 do Android para tablets.

Então, pedi a um amigo que estava em Chicago que comprasse um para mim, e desembrulhei-o empolgado, carreguei sua bateria e comecei a fuçá-lo. Usei-o em casa e no escritório, entreguei-o à minha filha de três anos para ela testar e levei-o em algumas viagens para outros países. Neste momento, já estou pronto para dar um veredicto: "nhé".

Jo Yong-Hak/Reuters
iPad (esquerda), da Apple, e seu novo concorrente, o Galaxy Tab 10.1. da Samsung
iPad (esquerda), da Apple, e seu novo concorrente, o Galaxy Tab 10.1. da Samsung

É verdade que o Galaxy Tab 10.1 faz todas as coisas básicas que você espera de um tablet com Android, tem uma bateria de longa duração, pesa pouco, tem uma tela boa e nítida e duas câmeras muito boas --uma olhando para você e outra olhando para o horizonte. A câmera é um deleite --há algo realmente divertido e correto em usar uma tela grande, de 10,1 polegadas, como visor, especialmente ao gravar vídeo, e o resultado das fotos é lindo. No geral, o sistema operacional é fácil e intuitivo, e as ofertas de software da loja do Google e das outras são aceitáveis.

Mas há alguns incômodos e uma série de terríveis falhas que transformam o Galaxy Tab 10.1 em uma decepção. Primeiro, e o pior de tudo, há o problema do conector USB. Os aparelhos da Apple com iOS usam um famoso conector proprietário longo e plano que rende uma grana fácil à empresa na forma de venda de cabos específicos e impede que aparelhos concorrentes usem docks de alto-falantes e outros acessórios criados para a Apple. Esse é um dos meus problemas com os aparelhos da Apple, e o uso de cabos mini-USB --padronizados, baratos e fáceis de encontrar-- em diversos smartphones com Android (incluindo o Samsung Galaxy S, que tenho o prazer de ter) é um fator de compra importante para mim.

Mas os tablets da Samsung --sem motivo aparente-- usam um formato customizado que não é padrão mini- nem micro-USB. É um conector largo e plano, semelhante ao usado pela Apple --mas, claro, não é compatível com os cabos da Apple. Eu já perdi o meu, gastei toda a bateria e agora não posso usar o tablet novamente enquanto não encontrar o cabo ou comprar um novo. Recentemente, estive em três aeroportos, e nenhuma loja deles tinha o cabo no estoque.

Eu tenho cabos para carregar o celular no meu escritório, na minha mala de viagem, na minha mochila e ao lado da minha cama. A última coisa do mundo todo de que eu preciso neste momento é ter que adicionar outro tipo de cabo USB a todos esses lugares. A decisão de usar um conector proprietário em um aparelho que tem como grande atração o fato de ser não proprietário (pelo seu sistema operacional) é a coisa mais estúpida do Galaxy Tab 10.1 --mais estúpido até do que batizá-lo de "Galaxy Tab 10.1".

Jo Yong-Hak/Reuters
Executivo da Samsung exibe o Galaxy Tab 10.1 durante seu lançamento na Coréia do Sul
Executivo da Samsung exibe o Galaxy Tab 10.1 durante seu lançamento na Coréia do Sul

Decepcionante também foi a decisão de omitir a porta para cartão microSD na versão do tablet que tem apenas conexão Wi-Fi. Os modelos com conexão 3G vêm com um leitor de microSD embutido (algo conveniente, especialmente se você precisa descarregar dados no aparelho e esqueceu o estúpido cabo proprietário em algum lugar). O leitor é integrado à estrutura para cartão SIM usada nos aparelhos com 3G, e, em vez de deixar essa estrutura vazia no lugar e manter intacto o leitor de cartões, a Samsung removeu o negócio todo.

Continuando no tema de transferência de dados, as novas versões do Android tiveram mudanças fundamentais no sistema pelo qual os dispositivos conversam com os computadores pessoais. Aparelhos com Android eram exibidos no computador como um dispositivo padrão de armazenamento USB, e você podia mover arquivos de e para eles apenas arrastando-os no seu gerenciador de arquivos. Era um processo direto, rápido e fácil, mas havia um pequeno incômodo: quando o armazenamento do Android estava montado no PC, ele não ficava disponível no dispositivo com Android, ou seja, você não podia trabalhar com os arquivos no Android enquanto usava o armazenamento para reproduzir filmes ou áudio.

Para resolver isso, o Android pegou emprestada o MTP, tecnologia que a Microsoft desenvolveu para o Zune, que teoricamente permite que você use os arquivos de seu tablet mesmo enquanto usa o seu PC para mover arquivos de e para o armazenamento embutido. É uma boa ideia e representaria uma pequena melhoria na experiência do Android, se funcionasse.

Mas não funciona. Quando você conecta o Galaxy Tab 10.1 ao PC, o Android automaticamente abre um aplicativo de transferência de arquivos da Samsung que domina a tela inteira. Ele se comunica com um aplicativo de desktop para permitir que você transfira arquivos --muito, mas muito lentamente. E, se você tenta abrir outro aplicativo do Android enquanto a transferência de arquivos ocorre, ele corta a comunicação com o seu PC, fazendo com que as transferências falhem. Em outras palavras, o sistema que deveria permitir que você use o Android enquanto transfere arquivos requer que você não use o Android enquanto transfere arquivos.

Para completar, a adoção do MTP significa que o Android agora requer um aplicativo proprietário de desktop para executar simples transferências de arquivos --um aplicativo que é ainda pior que o iTunes, se é que isso é possível, e não representa vantagem alguma para quem busca dispositivos móveis não proprietários que simplesmente funcionem.

Parece que a Samsung realmente não entende a noção de a força do Android ser a sua natureza aberta e não proprietária. O aparelho já vem pré-carregado com vários aplicativos da Samsung que, de maneira insultante, não podem ser deletados sem fazer o "root" do dispositivo, um processo que elimina a sua garantia.

Eu ainda não desisti da minha busca por um ótimo tablet com Android --estou de olhos bem abertos para o iminente ThinkPad Tablet, da Lenovo. Adoro os laptops da linha ThinkPad, e o tablet da marca terá conectores USB padrão, saída para vídeo e porta para cartões SD (além dos opcionais stylus e case com teclado físico integrado semelhante ao dos laptops ThinkPad --meu teclado favorito).

Tradução de LEONARDO MARTINS

 

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