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18/08/2011 - 17h27

Redes sociais alimentam mania retrô em fotografia

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NATASHA FELIZI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O estilo fotográfico "vintage" continua a ser tendência. Com câmeras de smartphones e aplicativos como Hipstamatic, RetroCamera e Instagram, mais do que nunca.

Se antes retratos com ambiência cinematográfica eram privilégio dos profissionais e versados em Photoshop, hoje o efeito é obtido com a facilidade de um tuíte.

Inspirado na Instamatic 100, câmera 35 mm lançada pela Kodak para uso amador na década de 60, o Hipstamatic surgiu em 2009.

Embora não fosse o único a emular os efeitos de vazamento de luz, vinheta e distorção de cores de câmeras como Lomo e Instamatic, o Hipstamatic se destacou por manter o saudosismo também na interface, que imita o corpo de uma câmera antiga e oferece opções de lentes, filmes e flashes virtuais.

O que faltava era um ambiente de compartilhamento eficiente, compatível com a dinâmica das redes sociais.

Essa foi a inovação do Instagram, lançado um ano depois, em relação ao Hipstamatic, e que tem hoje mais de 7 milhões de usuários.

Arnaldo Branco

Para Paulo Fehlauer, fotógrafo profissional e adepto do compartilhamento instantâneo, os aplicativos fizeram do iPhone sua câmera portátil, mas não mudou sua relação com a fotografia analógica.

Simpático aos filtros de cor, ele ressalta que a inovação está mais na distribuição que no tratamento da imagem. "As Lomos viraram hits quando começaram a aparecer no Flickr. Acho que o Instagram resolve isso com a estética do filme e a facilidade de distribuição do Flickr."

Também com ênfase no aspecto social da rede, Daniela Arrais e Luiza Voll criaram o Instamission, espécie de concurso cultural temático e semanal que começou no Instagram e se espalhou pelo Twitter e pelo Facebook. Para reunir o conteúdo, usa-se a hashtag #instamission.

Antes do Instagram, a fotógrafa Tay Nascimento ficou popular no Flickr pelas cores chapadas e bordas arredondadas. Para entender o que fazia as fotos antigas mais bonitas, conta que teve que "descobrir a variedade do preto tendendo a outras cores, o contraste, os ruídos de luz e grão".

Quando teve contato como Instagram, achou chocante: "Por que raios ainda fico um dia inteiro editando uma foto, sendo que posso ter o mesmo efeito em dois segundos?"

Percebendo as limitações do aplicativo, ela diz ter se tornado mais crítica e cuidadosa com a edição.

*

A HISTÓRIA DO CLIQUE

Danilo Verpa/Folhapress
Imagem aérea da cidade de São Paulo com filtro de tratamento do aplicativo Instagram
Imagem aérea da cidade de São Paulo com filtro de tratamento do aplicativo Instagram

Danilo Verpa, fotógrafo da Folha

A foto acima foi tirada de um helicóptero durante a passeata da Força Sindical, em 3 de agosto. Enquanto o helicóptero seguia em direção à manifestação, aproveitei para clicar São Paulo de cima com o Instagram. Usei o recurso "tilt-shift" (ilusão ótica em que temos a impressão de estar olhando para uma miniatura) e o filtro Hefe para dar uma envelhecida na foto.

 

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