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05/10/2011 - 21h53

Relação com Jobs era distante, disse cofundador da Apple à Folha

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DE SÃO PAULO

Nem todos usuários de iPads e iPhones sabem, mas aquela que é hoje a maior empresa de tecnologia do planeta foi erguida por dois Steves: Wozniak e Jobs. Tinham 25 e 21 anos respectivamente quando montaram, numa garagem, em 1976, a Apple Computers (hoje Apple Inc.).

Wozniak é o autor do cultuado Apple II. O produto forjou, em 1977, os moldes do que chamamos por décadas de computador pessoal. Já Jobs era o "motor criativo" da companhia, considerado por analistas e biógrafos um negociador agressivo, obcecado pelo design de suas máquinas.

Jobs morreu nesta quarta-feira aos 56 anos, após longa batalha contra o câncer. Deixa a mulher, Laurene Powell, e quatro filhos --Lisa, que teve com a ex-namorada Chris-Ann Brennan, além de Reed, Erin Siena e Eve, do casamento com Laurene.

Marcel Antonisse - 19.nov.10/France Presse
Steve Wozniak, cofundador da Apple, durante evento de tecnologia na Holanda
Steve Wozniak, cofundador da Apple, durante evento de tecnologia na Holanda

Em entrevista ao jornalista Diógenes Muniz, no final do ano passado, Wozniak comentou sua relação com seu antigo amigo de juventude. Leia trechos abaixo e a entrevista inteira aqui.

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Folha - Como é sua relação com Jobs?

Steve Wozniak - Cordial. Converso com ele ocasionalmente. Não com frequência. Geralmente só dou um alô para lembrarmos das coisas do passado ou falar como algum produto é incrível.

Em biografias, vocês dois são descritos como jovens tímidos e nerds. Concorda com essa visão?

Concordo. Mas hoje em dia tenho mais confiança. Também sei que posso ajudar mais as pessoas, principalmente quando me procuram. Quando éramos jovens, eu queria ser um grande engenheiro [da computação]. Já Jobs queria ser um grande transformador do mundo. Nós dois nos saímos muito bem em relação às nossas metas. Hoje em dia já estamos longe de ser "outsiders".

Claro que ainda tenho um monte de manias bem estranhas ou incomuns. Presumo que Jobs, por sua vez, seja mais normal agora. E, por fim, eu ainda sou completamente "geek", embora existam por aí várias categorias de "geeks" diferentes.

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Em 2008, Wozniak também falou um pouco sobre Jobs em entrevista ao jornalista Emerson Kimura. Leia trechos abaixo e a entrevista na íntegra aqui e aqui.

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Divulgação/Apple
Os fundadores da Apple, Steve Jobs (esq.) e Steve Wozniak, posam para fotografia na década de 1970
Os fundadores da Apple, Steve Jobs (esq.) e Steve Wozniak, posam para fotografia na década de 1970

Folha - Qual seu papel na Apple hoje?

Steve Wozniak - Bem, eu sou definido como um "fellow", companheiro. [O programa Apple Fellows reconhece a contribuição de alguns indivíduos para a empresa; além de Woz, fazem parte do seleto grupo Bill Atkinson, Steve Capps, Rod Holt, Alan Kay, Guy Kawasaki, Don Norman e Rich Page.] É bem uma função aberta; tendo uma idéia eu provavelmente posso conseguir apoio para desenvolvê-la, mas não faço muito além de simplesmente dizer a Steve Jobs meus comentários e procedimentos de vez em quando.

A Apple começou a crescer novamente quando Steve Jobs voltou nos anos 90 e lançou o iMac...

O iMac já tinha sido desenvolvido lá dentro, antes que ele [Jobs] estivesse lá... Ele proporcionou para a leal base de consumidores uma exaltação com o seu retorno. Além disso, é um apresentador expert em marketing. Tomou medidas muito importantes para encobrir qualquer vazamento na companhia sobre produtos novos. Então, quando eles são apresentados, são muito mais emocionantes.

O sr. fala com Steve Jobs?

Sim. Não muito. Somente quando eu quero, ou quando ele quer... Aí, um liga para o outro. Mas não é regularmente. Às vezes ele me liga porque está empolgado com alguma coisa, ou eu ligo para ele... Ele é muito gentil, inclui-me em todos os eventos de apresentação da Apple.

O sr. acha que tem o crédito que merece na história da computação?

Oh, muito mais do que eu mereço. Sim. Porque eu era um grande engenheiro, um grande tecnólogo que projetou produtos que ninguém poderia imaginar. Mas Steve Jobs tem a habilidade de colocar tudo junto, as operações... Conseguir cupons, vender computadores, anunciar, ele pode controlar todo o marketing e relacioná-lo com a engenharia, pois, apesar de não fazer trabalhos técnicos, ele os entende bem. Então ele combinou mesmo as diferentes disciplinas da companhia. E eu acho que isso é muito mais importante para trazer os computadores pessoais para o mundo, para mudar o mundo. Algumas pessoas almejam ser o que eu sou, um incrível designer de computador e programador de software. E é apenas por isso que eu quero ser reconhecido.

 

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