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01/07/2010 - 07h53

Receber "tax free" é tarefa complicada

SILVIO CIOFFI
EDITOR DE TURISMO

O turista viaja à Europa, se depara com adesivos de "tax free" colados nas vitrines das lojas e é informado de que poderá obter estorno de parcela significativa do preço pago por mercadorias, a título de restituição de imposto, o VAT, ao voltar para o Brasil ---- os valores diferem de país a país; leia mais aqui.

Na hora, escutando o vendedor e fazendo as contas, o viajante se ilude: parece simples obter esse "desconto".

Adão Iturrusgarai
Tirinha do Adão sobre turismo
Tirinha de autoria do ilustrador Adão Iturrusgarai sobre o sistema de devolução do "tax free"

Na prática, esse "direito", que é usado como argumento de venda, exige do comprador expertise e muita paciência no aeroporto, momentos antes do embarque.

Na loja, desde que o comprador exiba seu passaporte no ato da compra, a mercadoria adquirida é entregue junto do envelope e do formulário da Global Blue/ Global Refund, empresa que intermedia o procedimento de "tax free" para turistas.

Ainda na loja, ato contínuo ao do pagamento do preço integral, com imposto, o freguês-viajante precisa indicar se quer que o ressarcimento seja feito no aeroporto, no ato de sair do território europeu, ou via depósito num crédito em cartão, depois do fim da viagem.

Processo kafkiano

Mas é no próximo passo, já quase na hora do embarque final, que as dificuldades e a maratona do "tax free" se apresentam.

As duas horas normais de antecedência recomendadas pelas companhias aéreas não são, em geral, suficientes para enfrentar a burocracia exigida pela Global Blue/Global Refund.

Essa burocracia precisa ser cumprida antes do check in se o passageiro deseja despachar seus bens adquiridos na mala principal --e não levá-las na mala de mão.

A primeira fila, para mostrar as mercadorias em processo de "importação acompanhada" é, normalmente, marcada pelo nervosismo.

Os guardas aduaneiros nem costumam checar com rigor se todas as compras estão, de fato, na posse do passageiro, mas a delonga para verificar os envelopes, cotejar as notas com os bens adquiridos e carimbar o formulário é naturalmente morosa.

Envelope carimbado, o procedimento seguinte é entrar numa outra fila, em geral da Travellex, casa de câmbio dentro do aeroporto europeu, para sacar o imposto em "cash", algumas vezes com algum deságio.

O passo seguinte é colocar o envelope --conferido e carimbado-- numa caixa de correio. Só que, nos aeroportos, elas ficam escondidas, sem a devida sinalização.

Mesmo que prefira esperar meses para receber o valor do "tax-free" depositado em seu cartão de crédito, é preciso postar o envelope.

Aí, aparece novo contratempo: apesar do envelope impresso fornecido pela Global Blue/Global Refund vir impresso como tendo o porte pago, dispensando teoricamente o selo, pode haver um outro percalço a vencer.

Se a compra foi feita em país europeu diferente do último aeroporto de embarque rumo ao Brasil, o envelope precisa ser selado. E não costuma ser fácil comprar selo em aeroporto (tente a lojinha que vende jornais e peça emprestado uma cola, pois os envelopes são precários).

Devidamente preenchido com o número do cartão de crédito, carimbado, lacrado e selado, o envelope com o timbre fornecido pela empresa precisa ser colocado na caixa do correio.

E a tal caixa fica...--onde mesmo? em que terminal?-- dentro do aeroporto, que costuma ser enorme.

Se bobear, o avião decola para o Brasil sem que o passageiro, sequioso pelo "tax free", dê conta de tantas filas, exigências e procedimentos burocráticos.

Descaso

Há ainda casos como o da loja que vendeu o produto com "tax free" e mandou um cheque virtualmente impossível de cobrar para a casa do viajante.

Tal cheque, relativo ao estorno do imposto VAT sobre compras efetuadas na loja Clark's de Londres, em setembro de 2009, foi enviado para um endereço escrito com erros e chegou na casa do "cliente", em São Paulo, quatro meses depois, no final de janeiro de 2010.

É ainda importante que se diga que há um valor mínimo a ser gasto por dia em determinada loja antes de pleitear o envelope do "tax free" --e a maratona que ele encerra antes da hora do embarque.

Para Global Blue, "não há problema com pagamentos"

Tira dúvidas

arte Folha de S.Paulo/arte Folha de S.Paulo
 

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