Presidente da Agrishow aposta em crescimento e diz que setor não depende apenas de crédito oficial

Vice-presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e presidente da Agrishow, Francisco Matturro diz que a feira se transformou num campo de validação das novas tecnologias e que avanços na conectividade na zona rural se tornaram o alvo das empresas nos últimos anos.

O agro não teve um 2018 no mesmo ritmo de anos anteriores, conforme o PIB (Produto Interno Bruto). Apesar disso, a Agrishow projeta crescimento superior a 10% nas intenções de negócios para este ano. Quais são bases para esta previsão?
A Agrishow tem algumas características importantes. Uma delas é que os lançamentos mundiais são feitos durante a feira. Todas as grandes companhias multinacionais lançam aqui. O Brasil produz o ano inteiro, tem cenário para isso, e as máquinas podem ser utilizadas em tempo integral. A feira virou um campo de validação dessas máquinas. É onde o produtor encontra o maior número de máquinas no menor espaço de tempo. As demonstrações de campo continuam sendo fundamentais. O formato mudou, a modernidade demanda isso, mas elas existem, e hoje são voltadas principalmente à conectividade no campo.

A falta de conexão, com ausência de sinal de telefonia no campo, é o grande entrave hoje?
As máquinas já desenvolvem inúmeras atividades, mas muitas delas não são aproveitadas em sua plenitude devido à falta de conectividade, de transmissão e análise de dados. Isso demanda uma internet robusta, banda larga robusta, e a conectividade não caminha numa velocidade que a gente deseja, mas tem caminhado bem e é alvo de incessante busca das empresas.

Produtores temem não haver recursos extras de financiamentos agrícolas por parte do governo federal. O senhor acha que é um risco para a feira deste ano?
Não vejo problema, acredito que ela vai bater recorde novamente e devemos faturar 10% a mais do que no ano passado. O setor não depende só de crédito oficial, como o Moderfrota. Bancos privados possuem linhas de financiamento, assim como os bancos de cooperativas, que têm financiamento para todos os segmentos.

Quais setores do agro devem concentrar o maior volume de compras?
O setor vai bem como um todo, inclusive a pecuária, que poucos falam. Uns vão mais, outros menos, mas a perspectiva é positiva. A soja tem um câmbio favorável, o milho vai bem, as proteínas também caminham bem. O agricultor trabalha muito. É um país muito grande, com diversos microclimas. Precisamos de muito trabalho e de pesquisa científica.

O Brasil ainda enfrenta problemas no armazenamento de sua produção agrícola. Como resolver isso?
O país continua com déficit forte de armazenagem, sobretudo de São Paulo para cima [no mapa]. Para baixo, grandes cooperativas acabam suprindo essa deficiência, mas para cima muitas vezes há depósitos [de produtos]
em carrocerias de caminhão. O governo tem de seguir incentivando, dando condições para que o agricultor invista. Os investimentos são a longo prazo, mas o bem dura muito e com eles saímos da pressão dos caminhoneiros, do clima e de uma série de coisas.

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Francisco Matturro, 69
Presidente da Agrishow
Vice-presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio)
Formado em administração de empresas
Foi diretor da Marchesan e presidente da CSMIA/Abimaq e diretor da Abag
Mora em Matão (SP)

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