Bancos preveem crescimento de até 20% em financiamentos de máquinas durante a Agrishow

Em meio às incertezas sobre financiamentos de tratores e máquinas agrícolas, bancos projetam crescimento durante a Agrishow deste ano.

No último dia 11, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) suspendeu novos financiamentos de dois programas considerados fundamentais pelos ruralistas: o Moderfrota e o Inovagro. O primeiro, destinado a financiar compra de tratores, colheitadeiras (que custam acima de R$ 1 milhão) e outros implementos agrícolas, é o mais sentido por produtores. O banco alegou que suspendeu devido ao comprometimento dos recursos disponíveis no ano agrícola 2018/19.

O Moderfrota tinha como condições taxa de juros pré-fixada de 7,5% para quem fatura até R$ 90 milhões por ano.

Mesmo sem o programa ou outro que o substitua, bancos apostam em crescimento nos financiamentos de até 20% na feira, que prevê um volume de negócios de R$ 3 bilhões.

Estimativa de fabricantes e associações do setor rural indica que o volume de crédito deve superar o disponibilizado na feira de 2018, com cerca de R$ 4,5 bilhões. O valor inclui maiores "players" e também bancos de cooperativas de crédito.

O Banco do Brasil, principal financiador de máquinas agrícolas, não informa o volume de crédito disponível, mas diz que pretende atender à demanda. Para atrair produtores, o banco tem feito rodadas de negócios em cem municípios paulistas.

Segundo Rogério Padua, superintendente estadual SP-Noroeste, "o banco apresenta as linhas de credito disponíveis, já inicia trabalhos de cadastros, revendas também comparecem, e o produtor pode com antecedência identificar as máquinas que tem interesse".

Avalia que o BB fará alocação com recursos próprios nas mesmas condições do Moderfrota. "Levaremos a mesma condição com os nossos recursos. [O produtor] Não deixa de fazer negócio com as condições que havia planejado", diz. Padua informa que haverá 200 gerentes especializados no atendimento ao produtor rural em Ribeirão durante o evento.

Uma aposta do Banco do Brasil são os consórcios para aquisição de tratores ou máquinas, com taxa de administração a partir de 1,2% ao ano.

No Bradesco, a previsão é que sejam consolidados mais de R$ 1 bilhão de negócios, estima Roberto França, diretor da área de agronegócios do departamento de empréstimos e financiamentos. O banco, diz, não vai limitar recursos.

No ano passado, foram financiados cerca de R$ 900 milhões nos cinco dias de Agrishow. "Pensamos num crescimento entre 10% e 15%", calcula Rui Pereira Rosa, superintendente de agronegócio do Bradesco.
O Santander, que tem registrado crescimento de 20% nas últimas feiras do país, ofertará limite de crédito pré-aprovado de R$ 1 bilhão.

"Temos alternativas para atender com recursos próprios todos os produtores", diz Paulo Bertolane, superintendente executivo de agronegócios do banco.

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