Proibição da caça comercial de baleias é mantida em reunião no Brasil

Após decisão, Japão ameaça abandonar a Comissão Internacional da Baleia

Florianópolis

A Comissão Internacional da Baleia (CIB) rejeitou nesta sexta-feira (14) o texto apresentado pelo Japão que pretendia autorizar a caça comercial de baleias, mantendo assim a moratória vigente. 

Os países defensores dos cetáceos, liderados pela Austrália, União Europeia e Estados Unidos, derrubaram a proposta japonesa intitulada "O caminho a seguir" por 41 votos a 27.

Baleia e filhote nadam no oceano
Baleia e filhote nadam no oceano - Austral Divers Centro de Buceo Quintay-Chile/Reuters

Seis dos 89 países-membros não enviaram uma delegação e sete outras nações, a maioria africanas, que não pagaram suas contribuições, não votaram.

O vice-ministro japonês da pesca, Masaaki Taniai, lamentou o resultado da votação e ameaçou abandonar a CIB se não houver progressos no retorno à caça comercial de baleias.

"Se as evidências científicas e a diversidade não forem respeitadas, se a caça comercial for totalmente negada... o Japão terá que reavaliar sua posição como membro da CBI", declarou.

Segundo ele, o resultado da votação pode ​​ser visto como uma negação da possibilidade por governos com diferentes pontos de vista de coexistir em respeito mútuo e compreensão dentro da CBI.

Em resposta, o representante australiano Nick Gales rejeitou o "discurso do Japão que ressalta a intolerância e disfunção" da CBI.

Ele pediu que Tóquio permaneça na CBI para defender seu ponto vista e trabalhar junto a outros países-membros.

Em comunicado à imprensa, o governo brasileiro indicou que a "reafirma a importância da manutenção da moratória à caça comercial de baleias, em vigor desde 1986, e reconhece o papel da CIB na recuperação das populações dos grandes cetáceos (mamíferos marinhos)".

"A aprovação é a reafirmação da posição de todos os países que, como o Brasil, defendem uma posição conservacionista da CIB, e não a liberação da caça", destacou o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, citado no comunicado.    

AFP

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