Noruega tem que aprender conosco sobre preservação, diz futuro chefe da Casa Civil

País europeu é o principal doador internacional do combate ao desmatamento da Amazônia brasileira

Talita Fernandes Fabiano Maisonnave
Brasília e Curitiba

O futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta segunda-feira (12) que a Noruega precisa aprender com o Brasil sobre preservação do meio ambiente.

"O Brasil preservou a Europa inteira territorialmente, toda a União Europeia, com as nossas matas, mais cinco Noruegas. Os noruegueses têm que aprender com os brasileiros, e não a gente aprender com eles", disse em entrevista coletiva em Brasília.

Área desmatada na cidade de Novo Progresso, no Pará
Área desmatada na cidade de Novo Progresso, no Pará - Ueslei Marcelino/Reuters

A declaração foi feita após Lorenzoni ter sido confrontado por um repórter, ao dirigir críticas à Noruega, de que o país escandinavo ajuda o Brasil a preservar o meio ambiente. 

A nação europeia é a principal doadora internacional do combate ao desmatamento da Amazônia brasileira. Iniciado com um aporte de US$ 1,1 bilhão do governo da Noruega, o Fundo Amazônia chegou a US$ 1,2 bilhão (R$ 4,6 bilhões no câmbio atual) com doações da Alemanha e da Petrobras.

O dinheiro é depositado na proporção do sucesso obtido na redução do desmatamento. Quando a devastação cresce, como em 2015 e 2016 (24% e 27% de incremento, respectivamente), o fluxo cai.

"Ah é, sim, sim... A legislação brasileira não vale nada. O que nós fizemos não vale nada, o que vale é a Noruega. E a floresta norueguesa, quanto eles preservaram? Só uma pergunta importante que tem que ser lembrada", disse, demonstrando irritação.

O futuro ministro, que coordena o gabinete do governo de transição de Jair Bolsonaro, demonstrou estar exaltado após jornalistas começarem a fazer perguntas sobre meio ambiente. 

O primeiro questionamento sobre o tema foi feito sobre se Bolsonaro já definiu o futuro ministro do Meio Ambiente.

"Estamos debruçados, existem vários nomes, amanhã vamos conversar. Já temos uma linha. O presidente vai receber um pré-estudo que nós fizemos sobre uma série de questões que há no Brasil. Vocês lembram que ele mesmo falou na semana passada dos tais dos R$ 14 bilhões de multa, as ONGs nacionais e internacionais levam 40% desse dinheiro, só para a gente poder entender como é que estão as coisas acontecendo", disse.

Ele disse que o futuro governo está muito preocupado com a distribuição de recursos para ONGs brasileiras e internacionais. 

"Porque se a gente for olhar tecnicamente — isso ele [Bolsonaro] vai ver amanhã— a média de conservação dos países que têm território semelhante ao nosso, das suas matas, é de 10%. O Brasil tem 31% de preservação das suas matas. É três vezes mais", afirmou.

Questionado sobre se sua afirmação indicaria que é possível elevar o nível de desmatamento no Brasil, Lorenzoni respondeu demonstrando irritação: "Claro que não, né, amigo? Seria uma irresponsabilidade escrever ou falar isso. Porque, primeiro, nós vamos preservar o Brasil. Agora, com altivez. Não dá para vir a ONG da Noruega ou lá da Holanda e vir aqui dizer o que é que a gente tem que fazer."

Em resposta via Twitter a críticas de Onyx Lorenzoni, o embaixador norueguês Nils Martin Gunneng, disse nesta terça-feira (13) que seu país “aprendeu muito a respeito de preservação com o Brasil” e convidou o futuro chefe da Casa Civil para uma conversa.

“São dez anos de parceria entre nossos países, e os resultados pelo Brasil, pelo Fundo Amazônia e pelo BNDES são impressionantes. Temos orgulho de ter contribuído”, escreveu o diplomata, em português.

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