Descrição de chapéu The Washington Post

Ilha de Komodo, na Indonésia, será fechada a turistas após roubos de dragões

Medida dará às autoridades locais a chance de aumentar a população do animal e preservar seu habitat

Michael Brice-Saddler

Turistas provavelmente serão barrados da popular ilha de Komodo, na Indonésia, a partir de janeiro de 2020.

O fechamento temporário, anunciado na última semana, teria sido provocado por relatos de roubo e contrabando de dragões-de-komodo​​, potencialmente para finalidades medicinais dúbias, de acordo com a mídia local.

A medida dará às autoridades locais a chance de aumentar a população do animal e preservar seu habitat, segundo informou o portal indonésio Tempo. A ideia era debatida ao menos desde janeiro, quando foi dito que a ilha poderia fechar por até um ano.

A ilha é uma das três maiores do Parque Nacional de Komodo. As duas outras —uma das quais também tem dragões— devem continuar abertas.

A decisão veio dias depois de nove pessoas serem presas por suspeita de vender mais de 40 animais por cerca de US$ 35 mil (R$ 135 mil) cada, segundo a polícia. Autoridades afirmaram que os répteis, que só são encontrados na natureza no leste do país, geralmente são vendidos a compradores asiáticos. Eles tentariam usá-los para criar um antibiótico.

O dragão-de-komodo existe há centenas de milhares de anos. Parte da razão pela qual essa espécie sobreviveu por mais tempo que outras é que sua mordida é muito venenosa. 

Ele também possui outra característica singular: seu sangue está cheio de peptídeos antimicrobianos, uma defesa natural contra infecções produzidas por qualquer ser vivo —o que o torna imune a mordidas de outros dragões.

Alguns cientistas creem que esses peptídeos podem ser usados para produzir antibióticos para humanos. Mas Bryan Fry, professor da escola de ciências biológicas da Universidade de Queensland, diz que o processo é mais complexo e menos plausível do que parece.

De acordo com ele, não se sabe o suficiente sobre os compostos químicos usados pelo animal para combater infecções, e usar seu sangue diretamente não seria útil para o tratamento de infecções em humanos. Purificar os compostos também seria difícil, e "a chance de uma reação alérgica violenta seria altíssima".

A população de ​dragões-de-komodo​​ foi classificada recentemente como vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. Crawford Allan, especialista em tráfico de animais selvagens da WWF, diz que relatos apontam que restam cerca de 6.000 dragões-de-komodo​​ na natureza, sendo que menos de 500 são fêmeas capazes de reprodução. 

A venda comercial poderia ter um impacto grande sobre essa população. "Se houver uma nova demanda para uso medicinal, será motivo de grande preocupação. Isso poderia levá-los à extinção rapidamente", afirma Allan.

Para o especialista, fechar a ilha é uma boa ideia, mas o bloqueio pode não ser suficiente para impedir o roubo. "Pode valorizar [o bicho], e, quanto maior o preço, maior a chance de ocorrer caça ilegal."

Tanto ele quanto Bryan Fry também se preocupam com a perda de receita turística de um ano e o impacto que isso pode ter na economia local.

Tradução de Clara Allain

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