Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Merkel quer 'discussão clara' com Bolsonaro sobre desmatamento

Chanceler alemã diz que vê com preocupação a política ambiental do presidente brasileiro

Berlim (Alemanha) | AFP

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse nesta quarta-feira (26) que deseja conversar com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro sobre o desmatamento no Brasil.

"Assim como vocês, vejo com grande preocupação a questão das ações do presidente brasileiro [em relação ao desmatamento] e, se ela se apresentar, aproveitarei a oportunidade no G20 para ter uma discussão clara com ele", afirmou a chanceler alemã aos seus deputados, às vésperas da cúpula que começa na sexta-feira em Osaka (Japão).

A expansão das atividades agrícolas no Brasil, fortemente apoiada pelo governo do presidente Bolsonaro, acontece às custas do desmatamento e causa cada vez mais conflitos com as comunidades tradicionais.

 

Essa situação levou 340 ONGs europeias e sul-americanas, incluindo o Greenpeace e Amigos da Terra, a questionarem o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

 

Endereçado aos presidentes da comissão, do conselho e do parlamento europeus no dia 17, o documento diz que “desde o início do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019, temos testemunhado o crescimento de violações a direitos humanos, ataques a minorias, populações indígenas, LGBTQ e comunidades tradicionais”.

A conclusão do acordo é "iminente", segundo os presidentes do Brasil e da Argentina, após 20 anos de negociações.

As ONGs pedem "medidas rigorosas" contra o desmatamento e "compromissos" em favor do Acordo de Paris sobre o Clima. 

"Acredito que a não conclusão do acordo com o Mercosul não contribuiria de forma alguma para o fato de que um hectare a menos seja desmatado no Brasil, pelo contrário", ressaltou Merkel, afirmando que "esta não é a resposta para o que está acontecendo no Brasil".

O acordo UE/Mercosul também é muito criticado por agricultores europeus, que temem uma inundação de produtos sul-americanos com a abolição de certos direitos aduaneiros.

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