Madeireiros incendeiam pontes da Transamazônica em protesto contra o Ibama

Relações conflituosas na área ambiental marcam governo Bolsonaro

Fabiano Maisonnave
Manaus

Em retaliação a uma operação de fiscalização do Ibama, pessoas ligadas à exploração ilegal de madeira queimaram nesta segunda-feira (15) duas pontes da Transamazônica (BR-230) em Placas, a 1.080 km a oeste de Belém (PA).

Imagens que circulam nas redes sociais mostram dezenas de pessoas bloqueando a rodovia nos dois sentidos, praticamente isolando o acesso a Placas, de cerca de 30 mil habitantes. Para queimar a ponte, foram usados pneus e madeira. 

Folha apurou que a equipe do Ibama continuava na cidade até o fechamento desta edição, sob a proteção da Polícia Civil.

É a segunda vez que madeireiros ilegais patrocinam ações contra o Ibama neste mês. No último dia 4, um caminhão-tanque a serviço do órgão ambiental foi incendiado no município de Espigão d’Oeste (RO) enquanto agentes faziam uma operação contra extração ilegal na Terra Indígena Zoró.

Em resposta, o Ibama embargou todas as 47 madeireiras de Espigão d’Oeste. Na semana passada, o senador Marcos Rogério (DEM) foi ao Ministério do Meio Ambiente para tentar retirar o embargo, sem sucesso até agora. Procurado pela reportagem, o parlamentar não respondeu aos pedidos de entrevista.

Os fiscais do Ibama afirmam, sob a condição do anonimato, que o trabalho de fiscalização se tornou mais arriscado desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). O presidente é um feroz crítico do Ibama, a quem acusa de promover uma “indústria da multa” e de agir com “viés ideológico". O seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi escolhido com aval da bancada ruralista. 

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