Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro pede que incêndio não seja pretexto para retaliação; assista

Em pronunciamento em rede nacional recebido a panelaço, presidente diz que punirá desmate ilegal

Gustavo Uribe
Brasília

Em tom protocolar e mostrando-se mais moderado do que nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi a rede nacional de TV na noite desta sexta-feira (23) defender que o alastramento das queimadas pela Floresta Amazônica não sirva de pretexto para sanções ao Brasil.

 

No discurso de 4 minutos e 30 segundos recebido com panelaço em bairros de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, o presidente prometeu adotar “tolerância zero” na questão ambiental,  evitou citar o nome de líderes europeus e pediu serenidade, afirmando que “espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema”.

Na véspera, o francês Emmanuel Macron divulgara uma foto de queimada tirada há ao menos 15 anos para abordar o problema atual.

Bolsonaro, contudo, buscou naturalizar as queimadas, relacionando-as à estiagem, e a maior exploração econômica da floresta, dizendo que a população local “aguarda dinamismo econômico proporcional às riquezas ali existentes”.

“Incêndios florestais existem em todo o mundo, e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção de sua Floresta Amazônica”, afirmou.

Dados aferidos por satélite pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pela Nasa e pela organização de pesquisa Imazon indicam tendência de aumento no desmatamento na Amazônia desde 2012, com avanço neste ano. 

Os focos de queimada também são mais numerosos. Não há ainda dados consolidados disponíveis sobre este ano, porém, que permitam dizer se houve salto abrupto ou maior aceleração sob Bolsonaro. 

A questão amazônica ganhou volume após Macron classificar os incêndios como crise global, prometer levar o assunto neste fim de semana no G7 —que integra com EUA, Canadá, Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão— e ameaçar barrar o acordo comercial Mercosul-União Europeia.

“Diversos países desenvolvidos não conseguiram avançar com seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris [sobre o Clima]. Seguimos, como sempre, abertos ao diálogo, com base no respeito, na verdade e cientes da nossa soberania”, disse Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento na TV sobre a Amazônia
O presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento na TV sobre a Amazônia - Carolina Antunes/PR

Ele ressaltou que países ofereceram ajuda para conter as queimadas e “levar a posição brasileira junto ao G7” —alusão aos Estados Unidos.

A cadeia nacional faz parte de uma série de movimentos coordenados deflagrada na noite de quinta (22) para responder à pressão de líderes europeus e da opinião pública ante as queimadas na Amazônia, em uma corrida para conter danos à imagem do país.

No discurso, o presidente ofereceu autorizar por meio de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) o emprego das Forças Armadas aos países da Amazônia Legal para combater os incêndios e disse que a proteção da floresta é dever do país. “Somos um governo de tolerância zero com a criminalidade. E, na área ambiental, não será diferente”, afirmou.

Mais cedo, Bolsonaro assinara um decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União que permite aos militares atuar em áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e outras áreas da região.

A GLO valerá deste sábado a 24 de setembro. O pedido foi protocolado pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), e deve ser endossado por mais governantes da região —na terça (27), o presidente receberá nove deles.

A Presidência também montou uma força-tarefa com cinco ministérios (Defesa, Relações Exteriores, Meio Ambiente, Secretaria-Geral e Casa Civil), passou a estimular a denúncia de queimadas criminosas e avalia liberar recursos para combater o fogo. 

 
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.