Bolsonaro rebate Macron e diz que ele potencializa ódio contra o Brasil

Mais cedo, francês acusou o brasileiro de ter mentido e disse que pode se opor a acordo entre UE e Mercosul

Gustavo Uribe Talita Fernandes
Brasília

Em mais um confronto público, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta sexta-feira (23) o presidente francês, Emannuel Macron, e o acusou de tentar potencializar o ódio contra o Brasil.

Mais cedo, a autoridade francesa disse que o presidente brasileiro mentiu sobre seus compromissos com a proteção ao meio ambiente e anunciou que a França pode se opor ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

O presidente da França, Emmanuel Macron, e Bolsonaro, em reunião do G20 em junho
O presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado de Bolsonaro em reunião do G20 em junho - Jacques Witt - 28.jun.2019/AFP

Em mensagem, nas redes sociais, Bolsonaro rebateu Macron, lembrando que ele divulgou na quinta-feira (22) uma imagem de um incêndio na floresta amazônica que, na verdade, foi feita por um fotógrafo que morreu em 2003.

"Lamento a posição de um chefe de Estado, como o da França, se dirigir ao presidente brasileiro como mentiroso. Não somos nós que divulgamos fotos do século passado para potencializar o ódio contra o Brasil por mera vaidade. Nosso país, verde e amarelo, mora no coração de todo o mundo", disse.

 
O presidente brasileiro ressaltou ainda, nas redes sociais, que, como chefe de uma das maiores democracias do mundo, deseja "ao povo francês paz e felicidades".

Em nota, o Palácio do Planalto confirmou que o presidente fará um pronunciamento em cadeia nacional nesta sexta-feira (23), às 20h30, para anunciar medidas de combate às queimadas na floresta amazônica.

Nas redes sociais, internautas têm estimulado que, durante o discurso televisivo, seja promovido um "panelaço" e um "buzinaço" contra a postura do presidente diante da crise ambiental.

A foto usada por Macron para falar sobre a disparada no número de queimadas foi feita pelo fotojornalista da National Geographic Loren McIntyre.

Ele era um explorador que inclusive dá nome a uma das nascentes do Rio Amazonas, a Lagoa McIntyre, no Peru.

Apesar de criticar Macron pela divulgação de uma foto que não é atual, Bolsonaro publicou recentemente em suas redes sociais imagens de uma caça em ilha dinamarquesa dizendo que se tratava de um ato na Noruega. A postagem, feita no domingo (18), aconteceu logo após a suspensão de repasse de recursos pela Noruega ao Fundo Amazônico.

Imagens semelhantes às do vídeo publicado pelo presidente, que circulavam pela internet em redes sociais, foram analisadas pela Agência Lupa.

Segundo o serviço de verificação, é falsa a afirmação de que as imagens foram feitas na Noruega.

O vídeo compartilhado por Bolsonaro em sua rede social mostra caçadores encurralando baleias em uma praia e, na sequência, matando-as com arpões. O material identifica a sequência de imagens como tendo ocorrido em maio deste ano na Noruega.

Sem mostrar provas ou evidências, Bolsonaro tem feito reiteradas acusações de que ONGs seriam responsáveis pela queimada na Amazônia.

Ministros de sua equipe também lançaram suspeitas sem fundamentação.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamou de falsa a crise vivida na região norte do Brasil. "A crise Amazônica falsa é fruto do acordo comercial fechado com a Europa. O lobby dos agricultores europeus reagiu diante da iminente invasão de produtos brasileiros. Isso, combinado com ONGs, esquerda e 'artistas', revoltados com o fim da mamata. Podem prejudicar os brasileiros", escreveu no Twitter.

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