Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que aceita negociar R$ 83 mi do G7 se Macron 'retirar insultos'

Presidente encerra entrevista após se irritar com pergunta sobre desculpas à primeira-dama francesa

Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro recuou e disse nesta terça-feira (27) que ainda pode discutir o recebimento, pelo governo brasileiro, de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) oferecidos pelo G7 para a Amazônia.

Na noite de segunda-feira (26), o Palácio do Planalto havia informado que o montante, anunciado pelo presidente francês Emmanuel Macron, seria rejeitado em meio a uma crise diplomática aberta com a França.

Em entrevista, na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro ressaltou, no entanto, que só aceita negociar o aporte se Macron pedir desculpas a ele, por tê-lo chamado de “mentiroso”, e retirar declaração sobre a possibilidade de internacionalização da Floresta Amazônica.

“Eu falei isso [não aceitar os recursos]?”, questionou. “Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, me chamou de mentiroso. Depois, as informações que eu tive, é que a nossa soberania está em aberto na Amazônia”, acrescentou.

A maior parte do dinheiro oferecido pelas nações europeias é para ser utilizada no combate à série de incêndios. Em entrevista concedida na cúpula do G7, Macron disse que o debate sobre a internacionalização deve se colocar, mas que esta não era a proposta naquele momento nem naquele fórum.

“Então, para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele [Macron] vai ter que retirar essas palavras e, daí, a gente pode conversar”, disse. “Primeiro, ele retira, depois ele oferece e daí eu respondo.”

Na chegada para reunião no Palácio do Planalto a respeito da proteção da Amazônia, os governadores do Amazonas, Pará e Roraima defenderam o recebimento dos recursos.

"Todos os recursos e financiamentos são importantes, de todas as fontes. O objetivo é um só: a preservação do meio ambiente e da Amazônia", pregou o governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), filiado ao mesmo partido do presidente.

No mesmo tom, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse que é fundamental ao governo brasileiro receber apoio internacional e ressaltou que qualquer recurso é bem-vindo para ajudar na preservação ambiental.

"Nós precisamos de recursos e precisamos avaliar todos que entram no Brasil e de que forma serão aplicados", disse. "Nós precisamos de apoio internacional e institucional e toda ajuda é bem-vinda", acrescentou.

Além de ser favorável aos recursos internacionais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), pregou que o governo brasileiro convença nações estrangeiras a aumentar o envio de dinheiro ao Brasil.

"Eu defendo que tenhamos capacidade de convencer aqueles que queiram nos ajudar em ampliar as ofertas financeiras, partindo do princípios de que esses recursos estarão alimentando as estratégias do Brasil e dos estados da Amazônia", disse.

Nova versão

No início da noite desta terça-feira (27), o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, mudou a versão sobre a condição para que o Brasil receba a ajuda oferecida durante encontro do G7.

"O governo brasileiro está aberto a receber dos órgãos internacionais, dos países, verbas desde que a governança seja nossa", disse.

Questionado se a aceitação dos R$ 83 milhões está vinculada a uma retratação por parte de Macron, como disse Bolsonaro pela manhã, Rêgo Barros não respondeu. 

"O governo não rasga dinheiro, não. Não rasga e não rasgará. Rasgar dinheiro não é uma coisa adequada num governo que tem a austeridade como princípio maior. E essa austeridade vem sendo apresentada à sociedade por meio das decisões do Presidente da República e não avançar um milímetro daquilo que não seja legalmente permitido", disse o porta-voz.

Brigitte Macron

Bolsonaro e Macron têm trocado críticas após o francês acusar o brasileiro de negligenciar a proteção ambiental na Amazônia. 

Com a deterioração das relações, o brasileiro chegou a apoiar o comentário ofensivo à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.  O presidente francês respondeu então que esperava que  “os brasileiros tenham logo um presidente que se comporte à altura” do cargo. 

Indagado se pediria desculpas a Brigitte, Bolsonaro disse que não a ofendeu e, irritado com a insistência dos repórteres, encerrou a entrevista, acrescentando que os jornalistas “não merecem a consideração”.

“Não queiram levar para esse lado, que a questão pessoal e familiar eu não me meto. Eu sei porque falei para o cara não entrar nessa área. Se continuar pergunta nesse padrão, vai acabar a entrevista, vai acabar a entrevista”, repetiu. “Realmente o jornalismo, vocês não merecem a consideração”, disse.

No final de semana, ao comentar uma publicação do presidente brasileiro em sua página no Facebook, o seguidor Rodrigo Andreaça escreveu: "É inveja presidente do Macron pode crê (sic)". A mensagem foi publicada junto a uma imagem, na qual se vê uma foto de Bolsonaro e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, abaixo de um retrato de Macron e de sua mulher Brigitte.

O perfil de Bolsonaro respondeu a Andreaça: "Não humilha, cara. Kkkkkkk", dando a entender que as recentes críticas de Macron ao presidente brasileiro seriam motivadas por inveja da esposa do brasileiro.

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