Chanceler rebate Macron e diz que Brasil não vai aceitar 'relativização da soberania' na Amazônia

O presidente francês havia dito que se impõe a discussão sobre um estatuto internacional da floresta amazônica

Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) rebateu na noite desta segunda-feira (26) o presidente francês, Emmanuel Macron, e disse que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não aceitará qualquer ação que tenha por objetivo "relativizar a soberania sobre o seu território".

Macron disse nesta segunda que se impõe a discussão sobre um possível "estatuto internacional" da floresta amazônica.

Para o francês, o estatuto internacional “é um caminho que permanecerá aberto, nos próximos meses e anos, pois o desafio no plano climático é tal que ninguém pode dizer ‘não é problema meu’”.

Araújo criticou a ideia levantada pelo presidente da França em uma sequência de mensagens publicadas nas redes sociais. 

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante entrevista coletiva para falar sobre os dados de monitoramento de desmatamento do país, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante entrevista coletiva para falar sobre os dados de monitoramento de desmatamento do país, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - 01.08.2019 - Pedro Ladeira/Folhapress

O chanceler disse que Macron não conseguiu emplacar sua ideia de uma "iniciativa para a Amazônia" no Comunicado final da cúpula do G7 —o texto saiu enxuto e não menciona a floresta. 

"Ninguém precisa de uma nova 'iniciativa para a Amazônia' como sugere o presidente Macron quando já existem no âmbito da Convenção do Clima da ONU vários mecanismos para financiar o combate ao desmatamento e o reflorestamento", escreveu Araújo. 

Ele cobrou ainda que a França e outros países desenvolvidos cumpram compromissos ambientais já assumidos em mecanismos internacionais.

"Está muito evidente o esforço, por parte de algumas correntes políticas, de extrapolar questões ambientais reais transformando-as numa 'crise' fabricada, como pretexto para introduzir mecanismos de controle externo da Amazônia", complementou o chanceler. 

"O Brasil não aceitará nenhuma iniciativa que implique relativizar a soberania sobre o seu território, qualquer que seja o pretexto e qualquer que seja a roupagem", concluiu. 
A fala de Macron não foi comentada apenas por Araújo.

Ao final de uma reunião com o presidente Bolsonaro e ministros no ministério da Defesa, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse que "sobre a Amazônia brasileira, fala o Brasil". 

"Sobre a Amazônia brasileira fala o Brasil e as suas forças armadas. E o mais do que o Brasil e suas forças armadas, a sociedade, que são as forças armadas não fardadas", disse o porta-voz.  

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