Ex-ministros pedem a Maia suspensão de projetos prejudiciais ao ambiente

Presidente da Câmara mostrou insatisfação com aprovação na CCJ de projeto que permite exploração agrícola em terra indígena

Angela Boldrini
Brasília

Um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente entregou nesta quarta-feira (28) ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma carta em que pedem a suspensão imediata da tramitação de projetos que possam "agravar a situação ambiental no país". 

O documento é assinado por nove ex-ministros do Meio Ambiente, representantes de entidades ligadas à proteção ambiental e o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. 

Área desmatada na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, em Altamira, Para - João Laet/AFP

No texto, eles pedem também que sejam realizadas audiências públicas para a elaboração de um plano emergencial de ações "para o enfrentamento da crise ambiental em curso, com a redução imediata do desmatamento e queimadas e proteção das populações tradicionais". 

 

Os ex-ministros denunciam o desmonte de órgãos ligados à proteção ambiental. "Esses fatos, senhor Presidente, exigem de nossas instituições respostas à altura. O Parlamento brasileiro tem o dever histórico de atuar como moderador e oferecer um canal de diálogo com a sociedade, única forma de reverter essa assustadora realidade", dizem. 

"Que se faça uma moratória de projetos que são antiambientais para que dê uma sinalização forte para dentro e para fora de que não estamos dando sinal trocado", afirmou a ex-ministra Marina Silva (governo Lula). 

Ao grupo, Maia disse que o discurso do presidente Jair Bolsonaro sobre as questões ambientais não sinalizam o que na prática está sendo feito pelo governo. E afirmou que a "a palavra do presidente da República tem muita força e precisa ser colocada sempre com muito cuidado". 

Ele também mostrou insatisfação com a aprovação da proposta de emenda constitucional votada nesta terça-feira (27), que permite a exploração agropecuária de terras indígenas. "Eu avisei na semana passada que não era nem o momento de ser aprovada na CCJ", afirmou. 

Maia já havia sinalizado que não instalaria a comissão especial para análise do texto. 
 

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