Queimadas provocam desvio de avião e triplicam atendimentos de saúde em RO

Pelo menos 380 crianças foram atendidas com problemas respiratórios desde o dia 11

Felipe Corona
Porto Velho

Desde o início de agosto, Porto Velho (RO) vem sendo tomada pela fumaça de queimadas na cidade, no interior e até na Bolívia e Paraguai, que já provocou desvios de avião, triplicou atendimentos na saúde e gerou dificuldades no trânsito.

Segundo o setor de meteorologia da Sedam (Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental), a escuridão que tomou conta do céu de São Paulo na tarde da segunda-feira (19) teve contribuição da fuligem resultante das queimadas na Amazônia.

Queimada que ocorreu no mês de julho deste ano na BR-364 em Porto Velho, Rondônia
Queimada que ocorreu no mês de julho deste ano na BR-364 em Porto Velho, Rondônia - Petter Vargas / Extra de Rondônia.

“Existe um transporte natural de umidade da Amazônia para o Sudeste do país. Tanto que isso regula as chuvas no centro-sul. Então, se tem fumaça com fuligem, também será levada. E esse fenômeno não pode acontecer só em Rondônia ou em Mato Grosso, mas na Bolívia e até Argentina. Se tem queimadas na floresta, haverá muita fumaça em várias regiões do país”, disse Fábio Monteiro, meteorologista da Sedam.

Na última sexta-feira (16), o voo 3594 da Latam, que saiu de Brasília com destino a Porto Velho, não conseguiu condições de visibilidade da pista do aeroporto internacional Jorge Teixeira e teve que ser desviado para Manaus (AM). Um voo da Gol, que também partiria para Brasília, foi cancelado no mesmo dia, segundo a Infraero.

As queimadas urbanas e na zona rural também superlotam as unidades de saúde de Porto Velho.

No hospital estadual infantil Cosme e Damião, que atende todo o estado, os atendimentos mais que triplicaram por conta de problemas respiratórios devido à fumaça.

“Esse período é bem difícil. O tempo seco, aliado à fumaça, causa muitos problemas a elas [crianças], como pneumonia, tosse e secreção. De 1 a 10 de agosto, a média de atendimentos foi de 120 a 130 crianças com problemas respiratórios. Do dia 11 até hoje [20], subiu para 380 casos. Isso se deve à piora do clima”, disse o pediatra Daniel Pires, diretor-adjunto do hospital.

A orientação é que, ao serem percebidos sintomas nas crianças, pais procurem uma unidade de saúde.

A fumaça que provoca um nevoeiro persistente também atrapalha o tráfego de veículos na BR-364, que liga Rondônia ao restante do país. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, não houve registro de acidentes envolvendo queimadas, mas a atenção deve ser redobrada, pois há muitos incêndios às margens da rodovia.

“Assim como na neblina e na cerração, o motorista deve aumentar a cautela na condução, diminuindo a velocidade e se fazendo visível, por meio do acendimento dos faróis, que é obrigatório na circulação em rodovias. Caso as condições de visibilidade estejam ruins, o mais recomendável é que o motorista encoste seu veículo em algum lugar seguro e aguarde uma melhoria para, então, seguir viagem com segurança”, disse o inspetor da polícia Max Cabral.

Segundo o Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), desde 6 de junho, ou seja, há mais de dois meses, não chovia em Porto Velho. Na segunda-feira (19), a precipitação atingiu a maioria da cidade à tarde e à noite, mas nesta terça-feira (20) a neblina causada pela fumaça das queimadas continuou.

Nesta terça, durante a Fenasucro (Feira Internacional da Bioenergia), maior evento do setor no país, Salles afirmou que todas as equipes de combate na região Norte estão em operação e que o principal combate ao fogo é dado pelos governos estaduais e, em caráter complementar, pelas equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais).

“Estamos fazendo o máximo de esforço que podemos. Isso decorre de um tempo muito seco e há portanto essa maior incidência de queimadas."

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